Com Bruno Gagliasso, "Santo" faz retrato macabro de seita e sede de poder

Raúl Arévalo e Bruno Gagliasso são os protagonistas da série
Raúl Arévalo e Bruno Gagliasso são os protagonistas da série "Santo". (Foto: Divulgação/Netflix)

Como enfrentar um inimigo com sede de sangue, mas que nunca foi visto? Esse é o desafio que Bruno Gagliasso enfrenta em “Santo”, série espanhola no último mês na Netflix. Ele interpreta o policial Ernesto Cardona no projeto, que pode ser considerado um dos mais brutais da carreira versátil do ator brasileiro, que dá mais um show em frente às câmeras.

Ele e o policial espanhol Miguel Millán (Raúl Arévalo) passam meses investigando o narcotraficante que dá nome à série, uma pessoa que nunca foi identificada pela polícia e nem mesmo pelos seguidores. No entanto, o mundo está começando a testemunhar os horrores de suas ações na busca por poder.

Na história, o tráfico de drogas se torna um dos menores problemas envolvendo Santo. O líder de uma seita fica na mira da polícia por ser o responsável por um dos crimes mais brutais que poderia existir: o sacrifício cruel de crianças em rituais macabros.

A investigação cruza dois países quando um traficante é morto e o filho, que estava presente no momento do crime, é levado para servir como sacrifício em Madri. Enquanto isso, o corpo de outro garoto era encontrado no mar de Salvador, esquartejado e sem o cérebro. As cenas são de embrulhar o estômago.

A motivação de Santo é o poder, cometer a maior atrocidade que possa existir para tirar todos de seu caminho. E os seguidores acreditam fielmente no guru, trabalhando no tráfico de cocaína e ajudando em todos os sacrifícios que forem necessários, mesmo sem nunca ter tido contato físico com o vilão. Ele é um ser onipresente, nunca visto, mas sua presença é sempre sentida por aqueles que possuem sua marca nos olhos.

Cardona se infiltra no cartel do criminoso e se aproxima de Bárbara (Victoria Guerra), amante de Santo, para conseguir mais informações. Ele é traído e foge para Madri, onde é sequestrado, torturado e tem suas memórias apagadas, mas sabe que foi submetido a situações que podem igualá-lo ao rival. Ao ser encontrado pela polícia, passa a trabalhar lado a lado com Millán.

Toda a narrativa é dividida entre o passado e o presente, quando Cardona descobriu os crimes de Santo e quando acordou em Madri sem memórias do período em que esteve infiltrado. A série tem apenas seis episódios, mas não diferencia bem as duas linhas temporais. O vai e volta pode ficar confuso em vários momentos e só é possível saber qual fase da investigação está sendo retratada pela presença dos personagens que ganharam a marca do Santo. A presença de elementos visuais que ajudariam a identificar esses períodos poderia deixar a trama muito mais fluida.

Com isso, os episódios se transformam em um grande quebra-cabeça com muitas peças parecidas. Fica confuso, mas é difícil se desvencilhar da curiosidade para descobrir quem é o responsável por tanta barbárie. “Santo” é emocionalmente pesada, violenta e chocante, combinando com a entrega de Gagliasso, Guerra e Arévalo, a série de suspense se torna um projeto ainda mais eletrizante e imperdível.