Com agenda cheia, Glória Groove fala sobre carreira: "O rap com a peruca na cabeça quebra tabus"

Redação Vida e Estilo
Foto: Reprodução/Instagram (@gloriagroove)
Foto: Reprodução/Instagram (@gloriagroove)

Por Marcela Zanetti

Gloria Groove está em uma das melhores fases de sua carreira até agora. Entre o lançamento de 'Yoyo', sua música em parceria com Iza, o duo com Preta Gil para o mês do orgulho LGBT 'Só o Amor' e prestes a fazer uma turnê internacional, a drag de 24 anos vai cantar no trio elétrico da Avon a partir das 14 horas no Domingo (23), durante a Parada LGBT, em São Paulo.

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"É muito prazeroso ver que o jeito que faço as coisas acontecerem é bem aceito por todos. É gratificante", avisa em entrevista ao Yahoo!

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E nessa caminhada - que inclui ter sido backing vocal de Elza Soares- Gloria conseguiu até mesmo alcançar o público hétero.

"Um público que seria supostamente improvável, seja ele o homem hétero, a mãe de família, que você nem imagina que seria fã, é a prova de que o som é universal", explica.

A cantora também fala sobre a ajuda do rap para agregar públicos: " O meu recorte de hip-hop atrai a atenção de quem pende para a normatividade. Mas fazer o rap com peruca na cabeça é exatamente sobre quebrar o tabu."

A drag aconselha também quem ainda está com dificuldades de entender e se aceitar: "Costumo dizer que o que me fez embarcar de cabeça nisso foi o propósito pessoal. Ser drag mudou minha vida, o jeito como eu me percebia, como eu me olhava.Seja sincero com você mesmo. A drag não é uma montação só é a extensão de quem eu sou", poderosa, né?

Pop vs. RnB

Além do rap, Gloria também investe muito no rythm and blues, que dá o tom para seu projeto nas redes sociais, Mash Sessions, onde ela solta a voz unindo uma música internacional e uma nacional do gênero mais lento. Mas é difícil decidir qual o seu favorito: "Me sinto em casa com os dois, sem um ou o outro não estaria completa", avisa.

Mas o foco no pop é nítido para a cantora: "Estou aprendendo muito o que é compor um pop de peso. É uma loucura pois o que era uma brincadeira de adolescência, virou algo muito sério para mim, uma coisa que eu estudo. Então exploro tudo o que eu posso o tempo todo."

"Então eu diria que no momento o pop está me pegando muito mais. Coisas como Yoyo são momento sem que sinto que estou escrevendo a história do meu país. O universo dos videoclipes está voltando a tona graças às Drag Queens", afirma. E continua: " Elas trouxeram pro debate a elevação dos vídeo clipes".

Dublagem

Antes mesmo de ser Gloria Groove, Daniel Garcia já era dublador e tinha uma carreira consolidada em seu nome. Assim oportunidade de dar voz ao Aladdin na versão live do filme foi gratificante: " Tudo aconteceu já numa fase onde era muito mais conhecido na música como Gloria do que em dublagem, deu a impressão de que fui convidado, mas na verdade passei em dois testes e por isso ganhei o papel", conta.

O processo, segundo Gloria, foi maravilhoso: "Como já conhecia todas as pessoas com quem iria trabalhar, estava me sentindo em casa. Além disso, era inevitável a sensação de nostalgia misturada com extrema responsabilidade de estar revivendo músicas e diálogos de algo tão icônico. Estou muito apaixonado pelo resultado. Assisti três vezes no cinema e já quero de novo!", finaliza.

Sobre o sonho de um próximo personagem a cantora já avisa: "Gostaria de um dia dublar a minha própria voz em português, para um conteúdo que produzi originalmente em inglês. Imagina só que loucura?"