Com a pandemia, o Carnaval 2021 deve acontecer? Personalidades da folia comentam

Lucas Pasin
·6 minuto de leitura
Cheerful group of happy people mixed ages generations women having fun all together during celebration party or carnival - view of fiends blowing. coloured confetti and laugh a lot in friendship
Carnaval deve acontecer em 2021? (Foto: Getty Images)

'Como celebrar a vida com tanta gente morrendo?'. Foi com essa pergunta que Preta Gil, idealizadora do 'Bloco da Preta' e figura importante da folia, argumentou que o Carnaval 2021 deveria ser cancelado, e que não caberia uma data no próximo ano para tal evento. Assim como ela, outras personalidades já se manifestaram sobre a realização ou não da 'maior festa brasileira', e o Yahoo! foi atrás de opiniões de personalidades que dedicam parte da sua vida ao evento.

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Salvador, um dos maiores polos turísticos do Carnaval, já avisou que a folia de 2021 está suspensa, sem a possibilidade de acontecer. São Paulo e Rio de Janeiro, outras duas cidades com grande importância para o evento, pensam ainda na possibilidade de adiar para o mês de julho, acreditando, quem sabe, em uma vacina contra a covid-19 até lá.

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Ivete Sangalo, outro grande nome do Carnaval, deu sua opinião em uma live nas redes sociais e ressaltou: "O que a gente não pode é tomar uma decisão que não dê para voltar atrás. Tem questão dentro dessas decisões em que mexemos na vida de outras pessoas. Nesse caso, a gente para, respira, raciocina, tentando achar caminhos. Tem que achar caminho, não pode dizer que não vai ter. Vamos torcer para que uma vacina exista, para que a população esteja o máximo imunizada. Temos que obedecer todas as estáticas e a medicina [...] Estarei feliz em cima de um trio fazendo Carnaval se meu público estiver feliz cantando e dançando tranquilo. Acho que enlouqueceria se tivesse tomando uma decisão egocêntrica e egoísta. Jamais, Deus me livre."

Entre as personalidades do Carnaval buscadas pelo Yahoo!, muitas – e não citaremos nomes – argumentaram que não iriam comentar sobre o assunto por ser algo ‘muito polêmico’.

Veja o que personalidades da folia disseram ao serem questionadas: ‘E o Carnaval 2021?’

Gracyanne Barbosa, rainha de bateria da União da Ilha:

Cada um realmente tem a sua opinião e eu respeito demais isso. Adoro a energia da Preta Gil nos palcos e a carnavalidade que ela dá em suas músicas. Acho que Carnaval é uma questão delicada nisso tudo, mas se tiver vacina acho que deveríamos festejar de alguma forma o fim de tempos tão ruins que passamos. Creio que os trabalhadores que dependem disso para botar o alimento em casa, ficariam mais tranquilos também. Enfim, vou confiar nas autoridades de saúde para toda essa decisão que está por vir”.

Gabriel David, conselheiro da Beija-Flor:

"Óbvio que o Carnaval tem que acontecer se houver vacina. Até julho teremos vacina, tudo indica. Já temos os principais players apoiando o Carnaval. Temos a Globo, que representa uma parcela significativa do dinheiro que produz o Carnaval, temos o Governo Estadual, a própria Fio Cruz, que deu vários indícios que o Carnaval pode acontecer em julho, e temos diversas informações de que até julho a gente terá 60 mil vacinas distribuídas pelo país. Por conta disso tudo podemos entender que dá para fazer. E a importância de acontecer esse Carnaval em julho não é só pelo fomento da cultura, mas também econômico. Além de gerar dinheiro para o Estado, ela também está diretamente relacionada a criação de empregos. Com o fim do auxílio emergencial é muito importante que o trabalho volte, se não muitas famílias serão impactadas. E vou um pouco além, se a gente não tiver Carnaval em 2021, eu não sei o que vai acontecer com trabalhadores e fornecedores. Fornecedores de pluma, por exemplo. O que vai acontecer com eles? Vão sobreviver sem trabalho. E se eles não sobreviverem, como é que a gente faz o Carnaval de 2022? Temos que encontrar uma solução. É importante que aconteça o Carnaval no ano que vem e temos que fazer acontecer."

Carla Cristina:

Apesar de saber que o Carnaval gera lucro, movimenta comércio, hotéis, o dinheiro circula, e muita gente de diversos setores se beneficia, eu acho que seria muita irresponsabilidade promover um evento que reúne uma multidão (por dia), sem a população estar imunizada. Temos que ser prudentes, nos cuidar e cuidar do outro nesse momento tão difícil para o mundo inteiro.”

Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira:

Acredito que Julho seja possível a realização do Carnaval 2021. Claro que condicionado à vacinação contra o vírus. Até lá, acredito que os barracões das escolas de samba possam adotar protocolos rigorosos para um início de trabalho de criação. É importante ir avaliando semana a semana o quadro.”

Raphael Pavan, músico do carnaval carioca:

Brincar de carnaval é coisa séria e ocupar as ruas do Rio com festa exige responsabilidade. Mesmo que as autoridades que cuidam da nossa cidade não tenham esse cuidado com a gente, nós precisamos ter esse zelo com nós mesmo. Por isso, é inviável carnaval de rua sem vacina.

“Não é fácil, afinal, tá todo mundo com saudade e para milhares de cariocas ele não é só um feriado, é fonte de renda. Existe toda uma economia que gira em torno do evento, além da sua importância cultural, principalmente numa fase em que o carnaval vem sido tão atacada pelo atual prefeito do Rio e pelo presidente.”

“Por essa razão, eu sou muito a favor da iniciativa de assegurar simbolicamente o carnaval como tem sido proposto, principalmente porque inclui políticas de auxílio a agremiações e trabalhadores do carnaval. ”

“Carnaval sem aglomeração e rua ainda é carnaval? Talvez não seja o carnaval que estamos acostumados, mas se for como ele pode acontecer agora, por que não fazê-lo? Uma solução temporária também tem seu valor e só vai fortalecer a festa e quem vive dela. E aí, quando voltarmos 100% vacinados, vamos fazer essa fantasia ser eterna.”

Jô Codeço, diretor do bloco Me Enterra na Quarta (RJ):

Nós seguimos as diretrizes da área de saúde segundo a qual só pode haver grandes aglomerações após a população ser vacinada. Há uma possibilidade, segundo as previsões, de termos o carnaval de rua no segundo semestre de 2021. Entretanto, na data oficial do carnaval (12/02 a 17/02), há um documento da Comissão Especial do Carnaval da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, orientando que a festa seja comemorada de maneira simbólica através de apresentações online subsidiadas pelo poder público. Sendo assim, nós acreditamos que essa é a melhor maneira de manter a economia do carnaval funcionando , já que esta emprega tantas pessoas. Ao mesmo tempo, continuar levando alegria e arte com responsabilidade social e compromissados com a saúde pública.”

Tatiana Paz, representante do bloco Tambores de Olokun (RJ):

"Sou a favor do cancelamento do Carnaval neste período de fevereiro. Não temos a menor condição de colocar bloco na rua e se responsabilizar por aglomerar pessoas, sem que tenha uma vacina que permita que o folião possa aproveitar o Carnaval de forma segura. Seria muita irresponsabilidade colocar bloco na rua, promovendo aglomeração. É um lugar bem perigoso. Embora seja uma foliã, brincante e produtora de bloco de Carnaval, mas neste momento temos que ter responsabilidade e muita parcimônia. Seria uma loucura promover Carnaval no meio de uma pandemia."

Tati Minerato, musa da escola de samba Águia de Ouro (SP):

"O Carnaval é uma época muito especial pra mim, sou apaixonada. Encaro também como um trabalho, fui muitos anos rainha em São Paulo, sempre tive a responsabilidade grande. Vejo o Carnaval como o 'pão' de muitas pessoas que trabalham e se dedicam a este evento. Mas entendo o que está acontecendo no país. É algo histórico, nunca vivemos algo assim. Saúde vem em primeiro lugar. Não tem como acontecer Carnaval sem aglomeração. O Carnaval é festa, calor humano. Não tem como acontecer sem a vacina. Infelizmente, pra acontecer, tem que ter a vacina."