Coleção Vaga-Lume volta a lançar livros após formar milhões de jovens leitores

WALTER PORTO
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dos selos mais importantes para a formação de jovens leitores na história do mercado editorial brasileiro, a coleção Vaga-Lume volta a publicar livros inéditos após uma pausa de 12 anos. A Ática, que começou a editar os livros voltados ao público infantojuvenil na década de 1970, lança agora "Ponha-se no Seu Lugar!", da escritora e pesquisadora Ana Pacheco, descrito como uma releitura de "O Nariz", do russo Nikolai Gógol, para os tempos atuais. Em live da editora na tarde desta quarta, a autora descreveu a intenção de criar uma história para comentar o desconforto dos jovens com a própria aparência. A editora vai publicar também nos próximos meses "Os Marcianos", ficção científica de Luiz Antonio Aguiar, e estuda investir em outros lançamentos dentro da coleção. A Vaga-Lume se firmou como material relevante de incentivo à leitura nas escolas numa época em que o ensino fundamental estava sendo ampliado e os professores reestruturavam seus currículos, como lembrou Jiro Takahashi, um dos idealizadores da coleção, na mesma live. Num primeiro momento, a iniciativa se voltou a resgatar obras de décadas anteriores, que estavam fora de catálogo ou tinham acesso difícil, como "A Ilha Perdida", de Maria José Dupré, e "O Escaravelho do Diabo", de Lúcia Machado de Almeida. Muitas das decisões editoriais vinham por sugestões dos próprios professores, afirmou Takahashi. "Nossa intenção era agradar o público, então procurávamos saber o que o público queria." Esse diálogo com o leitorado se intensificou com concursos de ilustrações e material de apoio que incentivava o didatismo e estimulava os estudantes. A partir disso, quando a marca ganhou estabilidade, a casa passou a investir em novos autores, que fizeram fama a partir da Vaga-Lume. É o caso de Marcos Rey, de "O Mistério do Cinco Estrelas", Luiz Puntel, de "Açúcar Amargo", e Marçal Aquino, com "A Turma da Rua Quinze". Era uma época de penúria para o mercado editorial, lembrou Takahashi, em que havia pouca sofisticação e menor competitividade. "Quando a gente os abordava, os autores perguntavam, mas quanto é que eu tenho que pagar para publicar? E respondíamos, não, somos nós que vamos pagar!" A coleção Vaga-Lume foi passada de pais para filhos, nas gerações seguintes de leitores, e sofreu modernizações após a virada do milênio. Agora, voltando a investir no ineditismo, pode contar com o trunfo da nostalgia.