Coala Festival retorna com veteranos da MPB, apoio a Lula e ataque a Bolsonaro

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 10.09.2022 - O cantor Djavan. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 10.09.2022 - O cantor Djavan. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A pouco mais de duas semanas das eleições, a oitava edição do Coala Festival, que aconteceu nesta sexta (16), sábado (17) e domingo (18) em São Paulo, foi marcada por shows de veteranos da MPB e por protestos políticos e moções de apoio a Luiz Inácio Lula da Silva, candidato a presidente pelo Partido dos Trabalhadores.

Após uma edição virtual em 2020, o festival de brasilidades voltou ao Memorial da América Latina, na zona oeste, e manteve sua tradição de celebrar veteranos da MPB, entre eles Gilberto Gil, Djavan, Gal Costa, Maria Bethânia e Alceu Valença. A escalação também contou com alguns nomes do rap, como Tasha & Tracie, BK, Black Alien e o trio Febem, Fleezus e Cesrv, mostrando o projeto "Brime!".

Djavan e Maria Bethânia tiveram alguns dos shows mais aclamados do evento, já que têm pouco costume de se apresentar em festivais. Vê-los no Coala acabou sendo uma oportunidade única para fãs que não conseguem acompanhar uma apresentação solo, geralmente com ingressos salgados, desses nomes.

Os ícones da MPB tocaram hits e tiveram os shows mais celebrados do evento, que também se ancorou nessa sonoridade clássica em outras apresentações. O Bala Desejo, banda patrocinada pelo evento, mostrou um repertório retrô que imita na imagem e som a estética da tropicália. Com mais frescor, essa musicalidade também esteve presente no show da jovem carioca Ana Frango Elétrico.

Muito por causa do perfil do público, jovem e amante de brasilidades, os shows de rap acabaram recebendo menos atenção que os de MPB. BK foi menos celebrado que Liniker, e o "Brime!" atraiu menos gente que Marina Sena.

Repetindo uma postura que tem sido recorrente em festivais de música --incluindo os de maior calibre, como Lollapalooza e Rock in Rio--, o público do Coala pareceu disposto a tecer críticas ao presidente Jair Bolsonaro, que tenta reeleição pelo Partido Liberal.

Nas ruas, antes de entrar no evento as pessoas já eram abordadas por representantes de partidos políticos como PT e PSOL, que distribuíram papéis, adesivos e bandeiras partidárias. Nos shows, era comum ver o público levantar as mãos e fazendo um "L" --referência ao candidato petista--, e puxando coros pró-Lula.

Mas a plateia não esteve sozinha. Gil ouviu o coro lulista e respondeu afirmando que "tomara que seja isso mesmo o que o Brasil quer". Sem mencionar candidato ou partido, mas fazendo o "L" , Gal Costa disse que "daqui a 15 dias a gente escolhe o nosso presidente, vamos votar direitinho, com sabedoria e com inteligência, sem ódio e com amor".

Já Bethânia tocou no assunto durante a performance de "Cálice", que ecoa a ditadura militar. "Essa canção de Chico [Buarque] tem que ser cantada", ela disse. "É dia dessa canção. É tempo dessa canção."

O rapper Fleezus deixou um recado implícito, com referências à saga "Harry Potter". "Pau no cu de vocês sabem quem, o Voldemort". Já Black Alien pediu que o público votasse com cuidado, sendo ovacionado pela plateia.