Os Clinton refletem sobre escândalo Lewinsky em novo documentário

Bill e Hillary Clinton, em 2017

Mais de 20 anos após o escândalo sexual que quase custou sua presidência, Bill Clinton revelou em um novo documentário que o estresse e a ansiedade lhe levaram a ter um caso com Monica Lewinsky, uma aventura extraconjugal que deixou sua mulher "devastada".

No novo documentário "Hillary", lançado nesta sexta-feira na plataforma de streaming Hulu, Bill Clinton justifica sua relação sexual nos anos 90 com a estagiária da Casa Branca de 22 anos como algo que fez "para lidar com (sua) ansiedade durante anos".

Na série de quatro capítulos, Bill Clinton, de 73 anos, é entrevistado a sós e questionado sobre os motivos para o caso, se ele considerou os riscos.

"Ninguém senta e pensa: 'Acho que vou correr um risco realmente irresponsável'", disse o ex-presidente. "É ruim para a minha família, é ruim para o meu país, é ruim para as pessoas que trabalham comigo".

Ele contou que se sentia debaixo de muita pressão, mas que, de qualquer forma, o que fez foi errado.

"Você sente que está cambaleando, estava em uma luta de 15 rounds, que foi estendida a 30 rounds, e aqui tem alguma coisa que vai te distrair por um tempo", explicou.

"A vida de todos tem pressões e decepções e terrores, medos do que for, coisas que fiz para lidar com minhas ansiedades durante anos", acrescentou.

- 'Terrível' -

"Todos trazemos nossa bagagem para a vida e ás vezes fazemos coisas que não deveríamos", disse. "O que eu fiz foi horrível".

Bill Clinton inicialmente negou a relação com Lewinsky em uma declaração judicial gravada em vídeo, no âmbito de um processo por abuso sexual apresentado por Paula Jones contra o ex-governador de Arkansas.

A Câmara de Representantes aprovou seu processo de impeachment por mentir sob juramento sobre o caso com Lewinsky em dezembro de 1998, mas foi absolvido pelo Senado em fevereiro.

Clinton disse que se sente "terrível" por como o affair afetou a vida de Lewinsky para sempre.

"Ao longo dos anos, vi ela tentando voltar a ter uma vida normal", disse. "Mas é preciso decidir o que você define como normal".

O pior, confessou o ex-presidente, foi ter que contar para sua filha, Chelsea.

Hillary disse a seu marido que ele deveria contar para ela antes que a adolescente soubesse pela imprensa.

"Eu fiz isso, e foi horrível", afirmou o ex-presidente. "O que eu fiz foi errado. Simplesmente odiei machucá-la assim".

- Preço alto -

Já Hillary contou que se sentiu "devastada e ferida de uma forma tão pessoal" pelo caso.

Mas ela acabou perdoando-o e nunca se separou - uma decisão pela qual foi muito criticada.

A ex-primeira-dama sugeriu que, com o movimento #MeToo contra assédio e agressão sexual por homens que abusam de sua posição de poder, algumas pessoas estão fazendo uma nova leitura do que aconteceu.

"Vivemos tempos estranhos, em que quando a opinião pública muda e as pessoas deixam de dizer 'ah, tão nobre, permaneceram em seu casamento' para 'ah, é tão incompreensível que eles continuaram em seu casamento'", disse Hillary.

"Me senti tão grato por ela achar que ainda tínhamos o que era necessário para superar isso. Só Deus sabe o preço que ela pagou por isso", afirmou o ex-presidente.

Clinton garantiu que mudou muito desde duas décadas atrás, quando o escândalo veio à tona.

"Sou uma pessoa totalmente diferente da que eu fui. Talvez eu só esteja envelhecendo, mas espero que também seja porque passei por tudo isso", afirmou.