Classificados da Solteirice: a nova moda é anunciar os amigos disponíveis na internet

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Online dating and mobile flirting concept - man and woman profile on smartphones connected with flying paper hearts
Em uma tentativa de driblar os aplicativos de namoro, algumas pessoas têm usado as redes sociais para "anunciar" os amigos solteiros (Imagem: Getty Creative)

Resumo da notícia:

  • Nos Estados Unidos, pessoas solteiras buscam alternativas aos apps de paquera

  • Crescem os perfis e serviços de newsletter que "anunciam" pessoas solteiras

  • Ideia busca contornar o cansaço dos apps, que segue a dinâmica das redes sociais

Sejamos sinceros, por mais que os aplicativos de paquera sejam super práticos, depois de mais de um ano e meio de pandemia, ninguém quer passar o dia "arrastando para a direita ou para a esquerda" fotos de completos desconhecidos. A conversa, via de regra, demora para vingar, o papo esfria, e, muitas vezes, a gente esquece de abrir o aplicativo e volta para lá muitos (muitos!) dias depois. Entra aí uma nova tendência que tem aquecido o mercado da solteirice nos Estados Unidos: os classificados.

Sim, parece que voltamos algumas décadas no tempo, mas a ideia é a mesma daqueles anúncios antigos que víamos no jornal: conectar pessoas com interesses comuns de forma direcionada. E o movimento começou de forma orgânica, com pessoas que querem tanto ajudar os amigos solteiros a conhecer alguém interessante quanto encontrar uma forma nova, mais íntima, de conectar pessoas.

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Um exemplo disso é o perfil de Chloe Burdette, que começou a compartilhar os perfis de amigos solteiros no TikTok e, hoje, já acumula mais de 88 mil seguidores na rede social. A ideia inicial gerou uma conta no Instagram chamada Intro, em que Chloe posta fotos, um breve perfil e alguns vídeos dos seus amigos e conhecidos que estão em busca de um amor (ou de um encontro casual!). A ideia da profissional de moda, segundo entrevista ao Bustle, é crescer o perfil até transformá-lo em um negócio casamenteiro, mas, por enquanto, ele funciona com uma mecânica de lista de e-mails e envios de respostas de interesse por mensagens diretas.

A história começou um pouco diferente para Randa Sakallah, que se mudou para Nova York (EUA) no final do ano passado. Nova na cidade, ela não queria usar os aplicativos tradicionais para conhecer pessoas, e começou toda uma sessão de brainstorm com as amigas para criar uma base de dados de pessoas solteiras e interessantes. Foi assim que surgiu a newsletter hotsingles.nyc que, toda sexta-feira, traz um pequeno perfil de uma pessoa solteira, incluindo o que ela procura, o que gosta, desgosta, fotos e instruções para quem se interessar poder entrar em contato. Hoje, a newsletter já conta com mais de 450 assinantes.

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Alguns dos mais divertidos anúncios começam da seguinte maneira: 25M Estranha com um lado normal procura alguém normal com um lado estranho. "Eu quero ajudar as pessoas a parecerem legais e interessantes, diz Randa ao Bustle. "E eu quero encorajar as pessoas a falarem sobre o que faz delas únicas ou o que faz com que elas se destaquem."

Cansou dos apps? A gente compartilha do sentimento

As duas ideias parecem interessantes, justamente, porque são uma maneira nova de encarar a internet. Os aplicativos de paquera, por mais que tenham crescido muito no período de pandemia, podem cair facilmente no mesmo uso das demais redes sociais: uma longa lista de curtidas e poucas conversas ou conexões mais profundas. Uma pesquisa desenvolvida pelo Happn com usuários brasileiros revelou que 81% das pessoas que usam o aplicativo passam mais tempo curtindo perfis dos outros do que conversando com os matches. E mais: 71% deles disseram que sentem ansiedade por conta do uso e sentem medo de perder alguma coisa quando estão fora do aplicativo - o conhecido sentimento FOMO, ou "fear of missing out".

O uso das redes sociais têm uma série de efeitos no emocional das pessoas - e isso não é novidade. De crises de ansiedade até sensações de esgotamento, agravamento de quadros depressivos e de baixa autoestima, não é simples ser uma pessoa conectada em 2021: o fluxo constante de informações, de fotos e de vídeos geram um nível de agitação mental difícil de controlar. E é comum os aplicativos de namoro entrarem nesse mesmo padrão de comportamento. Horas e horas olhando fotos que não rendem conversas, apenas um momento de alimentar o próprio ego: cada match é uma vitória pessoal do tipo "alguém gostou de mim".

A saída, então, ainda mais em tempos pós-COVID (apesar de pandemia ainda não ter terminado), é buscar alternativas que gerem mais conexão e sejam mais que o movimento automático dos apps.

A Alma, uma publicação norte-americana focada na comunidade judaica vê as redes sociais como uma oportunidade de mudar o jogo e criou um quadro chamado "#AlmaClassified", ou seja, Classificados da Alma, em que anuncia perfis de pessoas solteiras em busca do amor. A publicação funciona como a ponte entre os anunciantes e os interessados e até já publicou algumas histórias de sucesso que resultaram dos flertes não-convencionais.

De fato, os classificados ainda estão no ambiente online, mas fogem da dinâmica normal dos aplicativos (o tradicional para a direita / para a esquerda) e dão um pouco mais de contexto para quem, realmente estiver interessado conhecer alguém e procurar amor de uma forma nova.

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