Mesmo sob ataque no país, cinema brasileiro brilha em Cannes

Os diretores Juliano Dornelles (à esquerda) e Kleber Mendonça Filho recebem o Prêmio do Júri em Cannes, pelo filme 'Bacurau'. (Foto: Pascal Le Segretain/Getty Images)

Se tem muito brasileiro, incluindo gente que atualmente ocupa os mais altos escalões do poder, achando que o cinema nacional é assunto irrelevante, a comunidade internacional discorda. Neste último final de semana, nosso cinema levou prêmios importantes no Festival de Cannes, principal referência do circuito autoral da sétima arte.

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Na sexta, ‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’, do cearense Karim Aïnouz, foi escolhido o melhor filme da mostra Um Certo Olhar, dedicado às produções mais ousadas e experimentais.

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No dia seguinte, ‘Bacurau’, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho, conquistou o Prêmio do Júri na mostra principal, dividindo o troféu com o francês 'Les Misérables'.

Os três cineastas premiados em Cannes viram as vitórias como um alento, em tempo que o cinema brasileiro passa pelo que alguns chamam de “desmonte”, com as políticas públicas de fomento ao setor sob ameaça, incluindo a recente paralisação da Ancine e a retirada de patrocínio da Petrobras aos principais festivais do país.

Quando subiu ao palco para receber o prêmio, Dornelles dedicou-o a “todos os trabalhadores do Brasil, da ciência, da educação e da cultura”.

Mais tarde, em coletiva de imprensa, Mendonça seguiu a mesma linha: "Nós vivenciamos uma lenta construção da produção de filmes no Brasil nos últimos 15 anos, por intermédio de políticas de financiamento. Agora vemos ameaças de cortes de verba para as artes, a eduçação. ‘Bacurau’ é uma coprodução com a França, metade de seu orçamento vem de financiamento público brasileiro. Então esses prêmios que os filmes brasileiros receberam aqui se tornaram irônicos".

Cena do filme 'Bacurau'. (Imagem: divulgação Vitrine Filmes)

"É importante que este prêmio de fato possa servir para incentivar o futuro do cinema brasileiro, a diversidade da cultura brasileira”, disse também Aïnouz. "E que a gente tenha um Brasil melhor que o que a gente tem agora”.

O cinema brasileiro já tinha demonstrado força em fevereiro, quando 12 produções nacionais (entre longas e curtas-metragens) estiveram no Festival de Berlim, outro evento prestigiado do calendário. Além de elogios a filmes como ‘Marighella’ e ‘Divino Amor’, o Brasil conquistou um total de cinco prêmios na edição deste ano.

‘Bacurau’ e ‘‘A Vida Invisível de Eurídice Gusmão’ devem estrear nos cinemas no segundo semestre.

Outros premiados em Cannes

A Palma de Ouro de 2019, principal prêmio de Cannes, ficou com o sul-coreano ‘Parasite’, dirigido por Bong Joon-ho. Já Antonio Banderas foi escolhido o melhor ator, por sua participação em ‘Dor e Glória’, drama do espanhol Pedro Almodóvar.

‘Era uma Vez em Hollywood’, o aguardado novo filme de Quentin Tarantino, não caiu nas graças do júri oficial. O longa teve que se contentar apenas com a Palma Canina, prêmio paralelo dedicado ao melhor cachorro que participa de um título em competição. O cineasta acompanhou a pitbull Brandy na entrega da coleira especial oferecida como troféu: