Cineasta franco-argentina Nelly Kaplan, ícone da "Nouvelle Vague, morre vítima da covid-19

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Nelly Kaplan em 16 de fevereiro de 2005
Nelly Kaplan em 16 de fevereiro de 2005

A cineasta franco-argentina Nelly Kaplan, ícone da "Nouvelle Vague" e diretora de "La Fiancée du Pirate", faleceu nesta quinta-feira aos 89 anos, vítima da covid-19, em um hospital de Genebra.

De acordo com um de seus familiares, François Martinet, Kaplan havia acompanhado o companheiro, o ator e produtor Claude Makowski, à Suíça, onde este faleceu em agosto em consequência do mal de Parkinson. 

Desde então, a diretora, que também se destacou como escritora anarcofeminista, permaneceu em uma casa de repouso, onde contraiu covid-19.

Kaplan, nascida em Buenos Aires em 11 de abril de 1931, era de uma família de judeus russos. Seus pais, diante de uma filha agitada, mandaram-na para o "Coliseu do Palermo", um grande cinema onde passava o dia assistindo filmes, fascinada.

"Eu queria fugir dessa sociedade sul-americana, na qual ser menina equivalia a 'seja boa e cale-se'", dizia Kaplan sobre sua juventude.

Com sua atitude rebelde, sua beleza singular e um olhar malicioso, chegou na França aos 22 anos. Ficaria apenas três meses, mas permaneceu por toda a sua vida, marcada pelos "belos encontros", segundo suas próprias palavras, com homens de destaque.

Em 1954, o diretor Abel Gance ("Napoleão") a notou na Cinemateca francesa. Ficou surpreso que uma jovem estrangeira, que sabia falar somente francês, tivesse assistido todos os seus filmes. Ali começou uma longa relação profissional e também amorosa.

Pouco depois, o poeta surrealista Philippe Soupault se aproximou dela durante a inauguração de uma exposição. Ele também ficou surpreso por ela ter lido sua obra "Os campos magnéticos". Posteriormente, Soupault a incentivou a escrever em francês.

Ela ficou famosa com "La Fiancée du Pirate", exibido no Festival de Veneza de 1969.

Dirigiu outros filmes, como "Papa, les petits bateaux…" (1971) e "Charles et Lucie" (1979), assim como documentários sobre artistas consagrados (Pablo Picasso, Gustave Moreau, Abel Gance, André Masson, Victor Hugo).

Ela teve relacionamentos com vários escritores, como o surrealista André Breton.

Escreveu textos eróticos que chocaram a censura. Em 1974, publicou sob pseudônimo o romance "Mémoires d'une liseuse de draps".

Nunca se casou: "Sempre fui muito livre. Nunca me prendi a nenhum homem e sem dúvida isso os intrigava", confessou Kaplan.

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