Cientistas investigam DNA de cães para entender "amizade" com humanos

Para muitos humanos, é inquestionável o fato de que os cães são os melhores amigos do homem. A domesticação de uma espécie pela outra é bastante antiga e já data mais de 10 mil anos. Para além das questões comportamentais, uma equipe de cientistas japoneses busca entender quais fatores genéticos e mudanças do DNA dos cachorros permitiram que esta relação fosse construída.

Publicado na revista Scientific Reports, o estudo sobre o DNA dos cães domésticos foi desenvolvido por pesquisadores da Azabu University, no Japão. Preliminarmente, a equipe de cientistas destaca a importância de duas mutações no gene receptor de melanocortina 2 (MC2R) — que está envolvido na produção do hormônio do estresse, o cortisol.

Pesquisa busca entender quais mutações do DNA permitiram que os cães se tornassem os melhores amigos dos humanos (Imagem: Mstandret/Envato)
Pesquisa busca entender quais mutações do DNA permitiram que os cães se tornassem os melhores amigos dos humanos (Imagem: Mstandret/Envato)

"Como os lobos, que compartilham os mesmos ancestrais, não apresentam boas habilidades de comunicação humana, mudanças genéticas devem ter ocorrido durante a domesticação dos cães, e as diferenças comportamentais entre cães e lobos devem aparecer como fenótipos [características que podem ser observadas] diferentes, dependendo das origens genéticas de diferentes raças de cães", explicam os autores do estudo.

Pesquisa para entender o DNA dos cães domésticos

O principal objetivo do estudo japonês era entender quais modificações genéticas permitiram que os cães desenvolvessem habilidades cognitivas sociais para interagir e se comunicar com humanos. Para isso, a ideia era buscar alterações em diferentes genes, associados com hormônios que afetam o comportamento social, como o cortisol.

No total, 624 cães foram recrutados no experimento, sendo que uma parte era composta por cães "modernos" — as raças geneticamente mais distantes dos lobos. Também foram incluídas raças consideradas geneticamente mais próximas dos lobos, como o Akita e o Husky Siberiano.

Em uma etapa antes da pesquisa genética, os cachorros passaram por diferentes tipos de testes para entender o quanto dependiam dos humanos e consideravam os seus comandos na realização de tarefas, como achar uma tigela de comida escondida ou abrir uma caixa.

Segundo os autores, os cães mais próximos dos lobos olhavam para os humanos (tutores) com menos frequência do que outros cães durante a tarefa de resolução de problemas, sugerindo que eles eram menos "apegados" aos humanos.

Possíveis hipóteses

Entender as variações genéticas que permitiram a "amizade" entre cachorros e humanos ainda é um mistério (Imagem: Warren Umoh/Unsplash)
Entender as variações genéticas que permitiram a "amizade" entre cachorros e humanos ainda é um mistério (Imagem: Warren Umoh/Unsplash)

Em seguida, os cientistas procuraram diferenças em genes associados a habilidades cognitivas relacionadas a humanos entre os dois grupos. Na lista de achados, as duas mutações do gene MC2R sugerem ter um impacto elevado na relação com os humanos. Uma hipótese é que isso reduza o nível de estresse dos animais, tornando-os mais aptos para o convívio social.

Outras modificações foram identificadas no receptor de ocitocina (OTR) ou ainda no gene WBSCR17, associado com a síndrome de Williams-Beuren. No entanto, a equipe afirma que mais estudos ainda são necessários para chegar a um consenso sobre as mudanças do DNA que favoreceram o processo de domesticação. "Tais habilidades cognitivas sociais complexas não podem ser completamente explicadas apenas pelos genes identificados e devem ser controladas por múltiplos genes. Portanto, é necessário pesquisar outros genes e verificar seus efeitos globais", completam.

Fonte: Canaltech

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