Cientista norte-americano lança livro explicando por quê jejum e restrição calórica promovem a longevidade, emagrecem e curam doenças crônicas

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A busca pela fonte da juventude mexe com a fantasia humana desde que nos aventuramos a descer das árvores. A longevidade, porém, tem papel tradicionalmente secundário na história da ciência. “Ideias desse tipo eram mais associadas a curandeiros e charlatães do que a cientistas”, brinca o norte-americano James W Clement, pesquisador do tema há 12 anos.

Clement integra um movimento que colocou a extensão da vida no centro das atenções. Em 2017, o laboratório que ele dirige ganhou projeção ao divulgar um estudo sobre supercentenários. A chave para o envelhecimento saudável, diz, está em um mecanismo celular chamado mTOR, cujo funcionamento é essencial para equilibrar crescimento e regeneração. Esse é o ponto de partida do livro “Vire a chave: perca peso, previna doenças, aumente sua disposição e viva mais”, lançado este mês pela Editora Globo.

O que é a “chave” do título do livro?

Em 2013, fui me informar sobre o que diziam as pesquisas médicas sobre a dieta cetogênica e descobri benefícios neurológicos e sanguíneos promissores. Mas não encontrei associação com longevidade, e por isso mergulhei fundo em artigos científicos sobre restrição calórica, jejum intermitente e dieta cetogênica. Cerca de 1.500 artigos depois, tive um estalo: tudo convergia para uma via de sinalização celular chamada mTOR. Quando essa via estava desligada, se iniciava um processo celular muito vantajoso chamado autofagia. Para minha sorte, já havia grandes grupos populacionais que jejuavam e limitavam calorias para “virar a chave”, com resultados notáveis de saúde e longevidade, como os veganos adventistas de Loma Linda, na Califórnia; os nativos de Okinawa, lugar com a maior densidade de centenários no mundo; e os monges ortodoxos do Monte Athos, na Grécia, que seguem um protocolo de jejum religioso metade do ano.

Como funciona a autofagia?

Quando os níveis de oxigênio, proteínas e glicose caem muito, o mTOR diz às células para reduzirem a atividade e tem início a autofagia, processo de reciclagem de proteínas e descarte de toxinas. Como o consumo de carboidratos refinados aumentou nos últimos 100 anos, muitas pessoas passam décadas sem ativar a autofagia, fator determinante para a maioria das doenças crônicas.

Quais as principais formas de “virar a chave” da autofagia?

É preciso bloquear um dos sinais de ativação do mTOR, e o mais fácil é a glicose — é possível esvaziar o estoque de glicogênio do corpo em no máximo 16 horas. Se você para de consumir carboidratos e limita a ingestão de proteínas, seus níveis de insulina caem, o mTOR não recebe nenhum sinal e o processo para. É assim que o jejum, a dieta cetogênica e a restrição calórica funcionam.

O que as pesquisas recentes dizem sobre o jejum, a restrição calórica e a dieta cetogênica?

Há dezenas de estudos que mostram, por exemplo, que o diabetes tipo 2 pode ser completamente revertido apenas pela adoção de uma dessas três abordagens. Em geral, há dois benefícios principais. O primeiro é que são métodos altamente eficientes para a perda de peso. O outro é que as mitocôndrias deixam de usar glicose para produzir a energia e passam a usar cetonas, um subproduto das gorduras. Esse método de produção de energia é mais limpo e resulta em menos radicais livres.

O que você costuma dizer a quem quer experimentar esse estilo de vida?

Eu falo sobre estratégias diferentes no livro, mas o mais importante é que as pessoas entendam: mudar não está fora do nosso alcance. É possível adaptar seu estilo de vida e ainda comer suas comfort foods de vez em quando, mas restringindo calorias parte do tempo, jejuando de forma intermitente ou fazendo uma refeição desejável por dia, por uma janela determinada de tempo.

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