Ciência explica como a estação do ano em que você nasceu afeta a sua personalidade

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Antes de mais nada, vamos concordar em relação a algo: a astrologia é uma bobagem. Pode até ser bobagem com um certo charme, mas não faz nenhum sentido. A sua premissa fundamental – de que a gravidade combinada de todos os planetas no momento do seu nascimento determina a sua personalidade – é a sua própria ruína.

Como Newton sabia, a gravidade de qualquer objeto sólido, é inversamente proporcional ao quadrado da sua distância. Mesmo para um planeta gigante como Netuno, que está a 4,4 bilhões de quilômetros de distância, a atração gravitacional que ele exerceu em você no momento do seu nascimento foi… vamos ver… zero. Então, independentemente do seu signo ou ascendente, esqueça isso.

No entanto, o fato do dia do seu nascimento não influenciar a sua personalidade não significa que isso também vale para a estação do ano em que você nasceu. Os cientistas estão encontrando cada vez mais evidências persuasivas de que pode haver uma relação de causa e efeito neste sentido.

Há incontáveis fatores que afetam o desenvolvimento de um bebê no útero. A nutrição materna certamente tem um papel importante, com bebês que nascem em épocas de fome tendendo a ser mais frágeis do que aqueles que nascem em meio à prosperidade. Mesmo no mundo desenvolvido, onde os alimentos são abundantes, dietas maternas pobres em proteínas, vitamina C ou vitamina D podem afetar o desenvolvimento do cérebro, do coração e dos ossos. Vírus sazonais – principalmente a gripe – também podem afetar a saúde materna e o desenvolvimento fetal. As gestações invernais, com dias mais curtos e noites mais longas em países distantes da linha do Equador, podem causar o transtorno afetivo sazonal nas mães, com níveis baixos de serotonina no cérebro materno, potencialmente levando à dificuldades para o bebê.

Mesmo após o nascimento, os bebês continuam a ser significativamente moldados pelo mundo ao seu redor. Um estudo de 2010 realizado com ratos descobriu que filhotes nascidos e desmamados em um ambiente simulando as luzes do inverno tiveram mais dificuldade para se ajustar à luz do verão, exibindo hábitos piores de alimentação e níveis de atividade. Ratos nascidos e desmamados em um ambiente imitando a luz do verão, não tiveram problemas em se adaptar às condições do inverno. Um estudo subsequente do cérebro dos ratos descobriu que um gene que regula o ritmo circadiano era menos ativo nos animais nascidos no inverno.

Diversos estudos recentes realizados nos últimos seis anos tentaram aplicar estas descobertas aos humanos, com pesquisadores analisando o temperamento de estudantes universitários e adultos e cruzando-os com a estação do ano do seu nascimento em busca de padrões sazonais. Embora ainda de forma preliminar, algumas consistências foram encontradas. (Cuidado: seus resultados podem variar).

Primavera: Parabéns aos bebês de setembro, outubro e novembro: vocês têm notas altas na escala de hipertimia, o que é algo positivo. A hipertimia é o otimismo geral – a habilidade de ver cada queda como o prelúdio de uma conquista, cada fracasso como um aprendizado para o sucesso. Mas isso tem um preço: bebês nascidos na primavera também são mais suscetíveis ao oposto exato da hipertimia: a depressão. De acordo com um estudo, envolvendo 58 mil participantes, realizado no Reino Unido em 2012, o índice de depressão é maior entre os nascidos nesta estação.

Verão: As notícias são boas para os nascidos em dezembro, janeiro e fevereiro. As chances de depressão sazonal são remotas – pelo menos nada causado pelos níveis menores de luz após o seu nascimento, embora possa haver um impacto por sua mãe tê-lo carregado durante o inverno. Os bebês nascidos no verão têm algumas das mesmas características de hipertimia dos nascidos na primavera, mas isso pode ser ofuscado pela ciclotimia – alterações bruscas entre estados de humor positivos e negativos. Ainda assim, provavelmente, não há sinais de alerta de transtornos bipolares.

Outono: A equanimidade geral dos bebês nascidos no outono parece oferecer evidências de uma existência equilibrada. Independentemente da causa ser a abundância de nutrientes disponíveis na época da colheita, ou o fato de que as longas noites e doenças características do inverno ainda não chegaram, os nascidos no outono não apenas têm níveis baixos de depressão, mas apresentam uma probabilidade menor de desenvolver transtornos bipolares. A única questão negativa em relação aos nascidos nesta estação é que eles podem ter uma tendência à irritabilidade.

Inverno: Bebês, preparem-se, porque as coisas podem ficar complicadas. Entre os desafios enfrentados pelos nascidos no inverno estão índices mais altos de esquizofrenia, transtorno bipolar, transtorno afetivo sazonal e depressão. É uma perspectiva pouco otimista, mas também há algumas compensações: os bebês invernais são menos irritáveis do que os nascidos no outono. Além disso, de acordo com um estudo pequeno realizado em 2015, com 300 celebridades, os meses de inverno são os melhores para nascer, se você quer ser famoso.

Nada disso significa que os pais devam tentar fazer com que seus filhos nasçam em uma determinada estação, e nada disso significa que o mês de nascimento seja algo conclusivo. No final das contas, a sua personalidade é muito menos influenciada pela estação em que você nasceu do que pelas experiências que você teve em todas as estações seguintes que vivenciou ao longo da sua existência.

Jeffrey Kluger

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