Quando a prática desmente a teoria na pandemia: Cidades brasileiras registram reaberturas "caóticas"

Foto: REUTERS/Pilar Olivares

Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro tem planejado a reabertura de suas economias nessa semana. Nesta quinta-feira (28), o prefeito Bruno Covas (PSDB) detalhou os planos da capital paulista para, depois de dois meses de quarentena, flexibilizar as medidas de isolamento que tentam frear a pandemia do novo coronavírus.

Ainda que o Brasil venha registrando um número alto de mortes diárias e já some 25.600 óbitos (dados da tarde desta quinta, de acordo com a Universidade Johns Hopkins), muitas cidades tentaram afrouxar seus protocolos sanitários e nem sempre a decisão se mostrou segura.

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Veja, abaixo, alguns casos em que a flexibilização acabou não se mostrando a melhor medida para a cidade que a adotou.

  • Duque de Caxias (RJ)

Primeiro dia de reabertura de Duque de Caxias (RJ) registrou aglomerações; Justiça suspendeu a medida - Foto: Reprodução/TV Globo

A reabertura de Duque de Caxias virou uma questão judicial nesta semana. Nesta quarta-feira (27), o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro negou o recurso da prefeitura da cidade que insistia na flexibilização do comércio. Na terça-feira (26), apesar da Justiça já ter vetado a medida, lojas não essenciais funcionaram normalmente.

A cidade é a segunda com mais óbitos no estado do Rio de Janeiro com, atrás apenas da capital, com 217 mortes pelo novo coronavírus.

Na segunda-feira (25), primeiro dia de reabertura da cidade, aglomerações foram formadas no centro comercial da cidade. O prefeito Washington Reis (MDB) afirmou que “assumiria a responsabilidade” caso o número de óbitos aumentasse.

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  • São Luis (MA)

Em teoria, a quarta-feira (27), seria o primeiro dia de retorno gradual do comércio de São Luís. Na prática, o que se viu foram ruas lotadas, alto número de carros e lojas que não poderiam funcionar de portas abertas. Apesar de estar reabrindo aos poucos o comércio, a capital maranhense registra alta de casos e mortes motivadas pela pandemia.

Na Rua Grande, o principal ponto de comércio da capital, foi claro que não houve o respeito das medidas de distanciamento. Um mar de pessoas foi ao local e fez filas para entrar nas lojas. Equipes da Polícia Militar foram vistas no local e orientavam os maranhenses.

  • Blumenau (SC)

Shopping de Blumenau registrou aglomerações em reabertura da cidade - Foto: Reprodução/Twitter

A cidade catarinense, no Vale do Itajaí, promoveu uma reabertura do comércio no início de abril, quando registrava apenas 68 infectados pela Covid-19. Quinze dias depois, portanto no dia 28, já eram 177 contaminados, de acordo com o próprio governo de Santa Catarina, configurando um aumento de 160%.

Uma das imagens da reabertura da cidade viralizou na internet: uma multidão aguardou a reabertura de um shopping da cidade, onde visivelmente não foram respeitadas as medidas de isolamento.

Entre as medidas do decreto estadual, constava a obrigação de uso de máscara pelos funcionários dos estabelecimentos e proibição de provas de mercadorias.

Em nota, publicada pelo Portal G1, o governo catarinense informou que o aumento de casos confirmados fez parte de um “movimento esperado da doença” e da “ampliação da testagem”.

  • Betim (MG)

Em abril, a prefeitura de Betim determinou a reabertura de comércio na cidade, mas acabou recuando apenas uma semana depois frente a primeira morte registrada por Covid-19 no local.

Após a confirmação do óbito, a cidade da Grande BH endureceu o isolamento ao determinar o fechamento de bares e multa para estabelecimentos comerciais e transporte público que não cumprissem as medidas de prevenção contra o avanço do vírus.

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