Cidades onde Bolsonaro provocou aglomeração entram em colapso por covid-19

Colaboradores Yahoo Notícias
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O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provoca aglomeração em Tianguá (CE), em 26 de fevereiro de 2021
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) provoca aglomeração em Tianguá (CE), em 26 de fevereiro de 2021

As cidades onde o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) viajou nas últimas semanas e provocou aglomerações sem usar máscara registraram piora no controle da pandemia de coronavírus, e algumas até entraram em colapso, segundo reportagem do portal UOL.

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Em 24 de fevereiro, Bolsonaro visitou Sena Madureira (AC) e descumpriu a proibição de eventos que aglomerassem. Quatro dias depois, o governador Gladson Cameli (PP), que participou de atos com o presidente, anunciou estar com a Covid-19. Já a ocupação de leitos saltou de 88,7% para 96,2% em 8 de março.

Situação semelhante ocorreu em Tianguá (CE), em 26 de fevereiro. Na ocasião, 80% dos dez leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) estavam ocupados. Quinze dias após a visita do presidente, não havia mais vagas nos hospitais, e pessoas internadas foram transferidas para Sobral (que agora está com lotação máxima). Hoje, pacientes precisam esperar uma vaga para internação.

Por causa das aglomerações no Acre e no Ceará, o MPF (Ministério Público Federal) pediu investigação contra o presidente por contrariar normas sanitárias.

Outra cidade visitada por Bolsonaro, Cascavel (PR) registrou 76,5% de ocupação de leitos de UTI para Covid-19 em 4 de fevereiro, dia da viagem. Duas semanas depois, esse percentual subiu para 90,6%. Hoje, praticamente todos os leitos estão ocupados. O município determinou que, entre 21 e 28 de março, supermercados, mercados e lojas de conveniência fechem até o meio-dia.

São Francisco do Sul (SC) recebeu Bolsonaro em 13 de fevereiro, quando tinha em média 12,4 novos casos registrados por dia de Covid-19. Após quinze dias, a média saltou para 24,5. Na véspera da visita, havia apenas três internados, porém em 26 de fevereiro o número saltou para 23. O estado enfrenta colapso na saúde.

Em Boqueirão (PB), visitada por Bolsonaro em 19 de fevereiro, a média de casos diários saltou de 2,4 para 3,5 (em 5 de março). Sem leitos para Covid-19, pacientes precisam ser levados para Campina Grande. O secretário de Saúde da Paraíba classificou a aglomeração do presidente como “descompromisso com a vida”.

Quando Bolsonaro viajou a Uberlândia (MG), em 4 de março, a cidade já enfrentava um colapso na saúde com 100% dos leitos ocupados. Mesmo assim, ele aglomerou, e os números pioraram. No dia da visita, a cidade tinha média de 15,1 mortes. Quinze dias depois, a média saltou para 23,6.