Christiane Torloni critica política ambiental de Bolsonaro: "Essa gente que está em Brasília não me representa"

Christiane Torloni

Diretora do documentário “Amazônia - O Despertar da Florestania”, Christiane Torloni conheceu de perto a realidade da região. Sensível às queimadas que estão devastando a floresta e gerando protestos no mundo todo, a atriz faz críticas às políticas ambientais do governo Jair Bolsonaro.

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“Estou deixando um bilhete para os que vêm depois: 'Eu não concordei com isso'. O filme mostra isso em todos os sentidos. Essa gente que está em Brasília não me representa, e isso se entende em qualquer língua. Se as pessoas me questionarem lá fora, eu vou dizer: 'Você viu o filme?'. Podem até não gostar dele, é uma obra aberta a todo tipo de opinião. Mas não vão poder dizer que estou desse lado [do atual governo]. Posso estar do lado dos que perdem, mas desse daí não estou”, afirmou, em entrevista ao UOL.

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Segundo a atriz, que dividiu a direção do filme com Miguel Przewodowski, a postura do presidente foi anunciada ainda durante a campanha.

“Quem votou no atual presidente da república sabia o que ele iria fazer. Se tem uma coisa de que não é possível acusá-lo é de ter mentido sobre isso. Agora, as pessoas dizem que não foi bem assim. Ele foi claro e taxativo. Por isso, quem faz parte de qualquer tipo de instituição, ONG ou iniciativa nesse sentido já estava preocupadíssimo durante a campanha eleitoral, caso ele fosse eleito”, disse.

Para Christiane, a indicação do atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, era outra mensagem clara do atual governo. “Não tem milagre nesse sentido. Se você pega os depoimentos que foram dados desde o primeiro momento pelo ministro do Meio Ambiente, você vê o histórico que ele tem, você acha que essa pessoa é ministrável? Ele tem a expertise necessária para estar nessa pasta?”, questionou.

A atriz contou ainda sofrer preconceito por seu ativismo ambiental. “Existe uma desconfiança muito grande com relação a nós, artistas. Perguntam por que eu não continuo fazendo minha 'pecinha de teatro'? Por que estou me metendo aqui? Escuto essas coisas desde as Diretas Já”, lembrou.

A diretora explicou que o filme faz um histórico de políticas equivocadas nessa questão, desde governos anteriores. E prefere manter distância da política: “O afastamento foi consciente. Resolvi fazer esse documentário para encerrar um ciclo. As pessoas me pressionaram muito. Decidi me manifestar sobre um assunto sobre o qual devo e posso opinar. Este filme é a grande resposta que eu tenho.”