China promete contra-ataque aos EUA após anúncios de Trump sobre Hong Kong

Por Beiyi SEOW y Ludovic EHRET
O porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Zhao Lijian, durante coletiva de imprensa em 8 de abril de 2020 em Pequim

A China prometeu nesta segunda-feira (1) ao governo dos Estados Unidos uma resposta após os anúncios do presidente Donald Trump, que deseja limitar a entrada de cidadãos chineses em seu país e impor sanções comerciais a Hong Kong.

"Qualquer declaração ou ação que prejudique os interesses da China encontrará um firme contra-ataque", declarou Zhao Lijian, porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores.

Esta é a primeira reação de Pequim às medidas anunciadas na sexta-feira pelo presidente americano. A tensão entre os dois países é grande em consequência da pandemia de COVID-19, da situação dos muçulmanos uigures no noroeste da China e do comércio bilateral.

Em uma declaração com tom firme, Donald Trump anunciou a suspensão da entrada nos Estados Unidos dos cidadãos chineses que representam um "risco" potencial para a segurança do país.

O republicano também pediu a sua administração que retire as medidas comerciais preferenciais para Hong Kong, ao criticar uma polêmica lei sobre segurança nacional imposta por Pequim no território autônomo.

Trump pediu ainda a investigação de empresas chinesas cotadas nos Estados Unidos.

- "Remediar erros" -

"A China pede ao governo dos Estados Unidos para remediar imediatamente esses erros e que abandone a mentalidade de Guerra Fria", ressaltou Zhao Lijian em entrevista coletiva.

O catalisador dessa série de medidas parece ser a polêmica lei de segurança nacional que a China deseja impor a Hong Kong, considerada uma maneira de silenciar a oposição e restringir as liberdades no território semi-autônomo, palco de massivas e frequentemente violentas manifestações pró-democracia desde 2019.

A entrega de Hong Kong à China foi feita sob o princípio "um país, dois sistemas", que permitiu à ex-colônia britânica preservar liberdades desconhecidas na China continental, como uma Justiça independente, liberdade de expressão e um parlamento parcialmente eleito por sufrágio universal, além de outras no campo econômico.

Essas exceções levaram muitos países, como Estados Unidos, a aprovar leis que autorizam tratar Hong Kong como uma entidade comercial separada do regime chinês.

Mas a China "não cumpriu sua palavra de garantir a autonomia de Hong Kong", explicou Trump na sexta-feira. "É uma tragédia para o povo de Hong Kong, para o povo da China e para todo o mundo", acrescentou.

Portanto, o presidente americano anunciou que deseja encerrar as isenções concedidas a Hong Kong como parte de seu relacionamento especial.

"Todas as medidas anunciadas (por Donald Trump) constituem uma séria interferência nos assuntos internos da China", respondeu Zhao Lijian nesta segunda.

- "Dois pesos, duas medidas" -

O porta-voz aproveitou a ocasião para comparar os protestos em Hong Kong em 2019 e os que agora ocorrem em várias cidades dos Estados Unidos, após a morte de um cidadão negro pela polícia.

Iniciado em Minneapolis (norte), o movimento se espalhou por todo o país, onde milhares de cidadãos se manifestaram contra a violência policial.

"Por que os Estados Unidos tratam como heróis os defensores da violência e da independência de Hong Kong e chamam de 'agitadores' aqueles que denunciam o racismo?", questionou Zhao Lijian.

A resposta dos Estados Unidos às manifestações contra a violência policial em seu território é "um exemplo clássico de seus duplos padrões mundialmente famosos", disse o porta-voz chinês, que também denunciou a "doença crônica" do racismo nos Estados Unidos.

Os distúrbios nas cidades americanas têm grande cobertura da mídia chinesa.