Chimamanda sobre momento político no Brasil: “Merece uma liderança melhor”

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Chimamanda sobre momento político no Brasil: “Merece uma liderança melhor”
Chimamanda participou do 'Roda Viva' (Foto: Reprodução/Instagram)
Chimamanda participou do 'Roda Viva' (Foto: Reprodução/Instagram)

Gravado há um tempo, a entrevista com a escritora e feminista Chimamanda Ngozi Adichie, 43 anos, foi ao ar nesta segunda-feira (14), no programa ‘Roda Viva’ da TV Cultura. Sob o comando da jornalista Vera Magalhães, a bancada foi formada especialmente por mulheres, entre elas Djamila Ribeiro, Carla Akotirene Santos, e também as jornalistas Carol Pires, Adriana Ferreira Silva e Marcella Franco.

Com mais de uma hora de duração, entre os assuntos abordados, a intelectual falou sobre a importância do feminismo no mundo. “Qualquer um que entenda o que é o feminismo, sabe que ele não busca divisão, e sim justiça. Ninguém que conhece a história do mundo pode dizer que as mulheres não foram excluídas. Elas foram excluídas porque eram mulheres. Quando eu falo sobre feminismo é importante deixar claro, que a questão não é tirar direitos de qualquer grupo, e sim dar direitos a um grupo que não tem”, esclareceu.

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“O feminismo é necessário para o mundo. Se quisermos justiça no mundo, todos precisamos abraçar o feminismo. A função do feminismo é chegar ao ponto de não precisarmos mais dele, chegar ao ponto em que as mulheres possam ser seres humanos completos. Isso parece tão óbvio, mas em toda parte do mundo não acontece. Permitir que as mulheres tenham direitos, que elas tenham autonomia total sobre seus corpos, sobre suas escolhas, não julgar mulheres pelas coisas sobre as quais os homens não são julgados. Quando chegarmos ao ponto de não julgarmos as mulheres severamente, de não ter padrões mais elevados, de não negar oportunidade às mulheres por elas serem mulheres, aí não precisaremos mais do feminismo”, completou.

Morando na Nigéria atualmente, Chimamanda falou sobre as eleições americanas e a importância de Joe Biden não só para os Estados Unidos, mas para o mundo. “Obviamente, estou muito grata por Biden ser agora presidente dos EUA porque acho que ele é racional. Os EUA são tão poderosos que o que acontece lá de, alguma forma, consegue ter um efeito no resto do mundo”, disse ela, que apesar de estar um pouco distante das notícias internacionais nos últimos dias, vê com preocupação a maneira como o governo brasileiro tem lidado com a questão do vírus.

“Normalmente, eu leio muito sobre o Brasil, porque me interessa. Não li nada com detalhe ultimamente, mas eu sei que os efeitos do vírus ainda são muitos sentidos, e eu sempre penso no Brasil. Eu acho que o Brasil é um país que merece liderança melhores”, desabafou. Em sua última visita ao Brasil, ela falou sobre as impressões que teve do país. “Eu ficava me perguntando: ‘Onde estão os negros?’ Sei que o Brasil tem muitos negros, e eu queria ver. Como negra, sempre que vou a um país que eu sei que tem uma população negra, quero ver o que chamo de ‘minha gente’, gente que se parece comigo”.

“Preciso dizer que fui ao Brasil para um festival literário, e foi ótimo, meus anfitriões foram maravilhosos, mas não pude deixar de notas que não havia muitos brasileiros negros. Eles simplesmente não estavam presentes. Íamos a um bom restaurante, eu olhava em volta e não via nenhum negro. Eu também percebi que perguntar sobre isso deixava as pessoas incomodadas. Elas pareciam não querer reconhecer que isso era um problema”, pontuou.

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