Chico Buarque homenageia Gal Costa e alfineta Guedes e Bolsonaro em show no Rio

***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 19.07.2017 - Show do cantor Circo Buarque no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)
***ARQUIVO***RIO DE JANEIRO, RJ, 19.07.2017 - Show do cantor Circo Buarque no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. (Foto: Zô Guimarães/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, SP (FOLHAPRESS) - Demorou para Chico Buarque, que fez a primeira apresentação no Rio de Janeiro da sua turnê "Que Tal Um Samba?" na noite desta quinta-feira, falar diretamente com a plateia. Primeiro, o cantor aproveitou o momento para homenagear a amiga Gal Costa, morta em novembro do ano passado, com "Mil Perdões", canção que ele escreveu e que Gal gravou em 1983.

Ao fundo do palco, uma projeção da imagem de Gal compunha o cenário -e gerou palmas instantâneas na plateia. Ao fim da música, os aplausos foram efusivos.

Depois, Chico assumiu o tom político que marcou sua carreira e fez piada com a recente sentença da juíza que questionou que "Roda Viva" fosse uma canção sua. O compositor pedia na Justiça que Eduardo Bolsonaro removesse uma postagem na qual usava a música, além de pagar uma indenização por danos morais.

"Com instrumentistas desse naipe eu tenho que caprichar é muito meu violãozinho", disse Chico, logo depois de apresentar a banda sobre a base instrumental de "Bancarrota Blues". Ele continuou: "Posso ratear, esquecer uma parte de uma letra. Pensei em instalar um teleprompter. Mas aí podem dizer, se eu não sei as letras, não sei tocar, que eu não sou o autor: 'Prova que é sua?'". A plateia riu.

Em seguida, lembrou a história que circulou nas redes de direita dizendo que ele comprava suas músicas. Depois de afirmar que não admitia a acusação de que comprava músicas, cantou "mas posso vender", retomando a letra de "Bancarrota Blues".

Ao fim da canção, que tem como mote exatamente o verso "mas posso vender", que se repete ao longo de toda a letra, ele arrematou: "Essa também não é minha. É do Paulo Guedes".

Chico voltou pro bis fazendo o L em resposta ao coro da plateia de "olé olé olá Lula lula".

A estreia da temporada carioca, que tem Mônica Salmaso como artista convidada, no Vivo Rio, é o primeiro show da turnê de Chico depois da posse de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, de quem o cantor é apoiador histórico.

O roteiro deixa evidente a afinidade entre o país defendido pelo presidente e o exposto nas canções do compositor. A noite começou às 21h57, com Salmaso no palco, cantando sozinha a infanto-revolucionária "Todos juntos", do repertório de "Saltimbancos". "Todos juntos somos fortes/ Somos flecha e somos arco/ Todos nós no mesmo barco/ Não há nada para temer", diz a letra. O princípio da democracia, enfim.

Antes de Chico subir ao palco, Salmaso passeia por canções que tratam do amor entre duas mulheres, com fim trágico devido ao preconceito, caso de "Mar e Lua", ou que visam das ameaças ao meio ambiente ou, pela metáfora, aos que trazem beleza ao mundo, com "Passaredo". Com "Beatriz", Salmaso celebrou o artista. A cantora também anuncia: "O pescador me confirmou/ Que o passarinho lhe cantou/ Que vem aí bom tempo", diz a canção "Bom Tempo".

Em "Paratodos", louvor à música popular brasileira, Chico finalmente aparece para cantar: "Vou na estrada muitos anos/ Sou um artista brasileiro".

"Que Tal Um Samba?" terá outras 15 apresentações no Rio antes de ir para São Paulo, onde aporta no início de março.

O cenário é de Daniela Thomas, a iluminação de Maneco Quinderé e os figurinos são assinados por Cao Albuquerque. A banda que acompanha Chico e Salmaso é formada por Luiz Claudio Ramos, responsável pelos arranjos, guitarra e violão, João Rebouças, no piano, Jorge Helder, no baixo acústico e elétrico, Jurim Moreira, na bateria, Chico Batera, na percussão, Bia Paes Leme, nos teclados e vocais, e Marcelo Bernardes nos sopros.