'Minha Fama de Mau': Chay Suede e Gabriel Leone falam sobre viver Erasmo e Roberto

Gabriel Leone e Chay Suede vivem Roberto Carlos e Erasmo Carlos, que estiveram na pré-estreia do filme. (Imagens: divulgação Downtown Filmes)

O cinema volta aos tempos da Jovem Guarda com a estreia de ‘Minha Fama de Mau’ nesta quinta-feira (14). Dirigido por Lui Farias, o filme acompanha os primeiros anos de carreira de Erasmo Carlos (interpretado por Chay Suede), um jovem humilde que sonha em virar cantor de rock como seus ídolos Elvis Presley e Bill Haley.

O roteiro tem como fio condutor o encontro com Roberto Carlos (Gabriel Leone), com quem o protagonista formaria uma das parcerias mais famosas da cultura pop nacional.

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“Uma das coisas mais legais do filme foi essa oportunidade de resgatar e mostrar a importância que esses caras tiveram para a música brasileira”, diz Leone, em entrevista ao Yahoo. “Acho muito difícil você mergulhar no universo deles e não se deixar envolver. Isso está no DNA de todo brasileiro. Às vezes alguém escuta uma música cantada por outro intérprete, até mesmo sem saber que ela foi composta pelo Erasmo ou pelo Roberto.”

“É claro que existe uma responsabilidade grande ao retratar pessoas em alta atividade”, admite Chay Suede. “Mas o prazer é proporcional, de homenagear essas pessoas enquanto elas ainda podem ver o filme”.

Erasmo e Roberto, ambos hoje com 77 anos, estiveram numa pré-estreia do filme no Rio de Janeiro na última segunda-feira e aprovaram o resultado.

Tom mais leve e despretensioso

Ao contrário de outros exemplos recentes do gênero (como os nacionais ‘Elis’ e ‘Tim Maia’, ou o internacional ‘Bohemian Rhapsody’, indicado ao Oscar deste ano), o longa não pretende fazer o retrato triunfante de uma vida, mas traz um tom mais leve e despretensioso. Há momentos em que Chay fala diretamente com o espectador, pegando emprestada a lábia marota de seu personagem. Em outros, desenhos e divagações de Erasmo preenchem a tela.

“Se você ouve os fonogramas que eles gravaram na época, encontra eles fazendo brincadeiras com as vozes, piadinhas, uivando. Coisas que depois nunca mais fizeram”, conta Chay. “Tinha muita despretensão, de não saber onde aquilo ia dar. Isso foi uma grande novidade para mim, eu me deixei contagiar muito por isso.”

“Eles são heróis, são ídolos, mas antes foram garotos que tinham sonhos, e fizeram besteiras e também fizeram muitas escolhas certas”

‘Minha Fama de Mau’ também se difere de cinebiografias por que se prende a um período específico na vida de Erasmo, o que permite uma análise mais aprofundada de sua personalidade ao invés de enumerar acontecimentos.

Outro ponto positivo são próprios atores interpretarem as músicas que fazem parte na narrativa. Esta escolha pelas vozes de Chay Suede, Gabriel Leone e Malu Rodrigues (que vive Wanderlea), e não das gravações originais, rende cenas de emoção autêntica, como quando Roberto apresenta a Erasmo a canção ‘Amigo’, como um pedido de desculpas entre os dois (veja a cena a seguir).

“Eu não precisei nem lembrar de Erasmo e Roberto naquela cena”, lembra Chay. “Bastou ouvir o Gabriel tocando aquela música. No colégio, criancinha, eu já me apresentei cantando essa música e abraçando o amigo do lado. Então vendo o meu amigo tocá-la para mim, foi impossível não me emocionar e chorar. Foi um momento muito especial.”

O parceiro de cena faz coro à declaração: “Eu fiz questão de ser ao vivo porque eu sabia que viria essa emoção genuína da gente”, diz Leone. “Foi uma das últimas cenas que a gente gravou, tinha ali um quê de encerramento de ciclo.”

“Ninguém virou o que virou à toa”

A dupla de atores/cantores se mostra empolgada com a onda ainda sem hora para acabar de cinebiografias sobre grandes nomes da música. As trajetórias de Gal Costa (com Sophie Charlotte no papel) e Rita Lee, por exemplo, também ganharão as telas em breve.

“É interessante entender como os nossos ídolos chegaram onde chegaram. Acho que essas biografias têm em comum o fato de mostrar que ninguém virou o que virou à toa. Todo mundo ralou muito”, afirma Leone, dando como exemplo a abordagem que utilizaram no filme. “A gente conversou muito sobre isso: eles são heróis, são ídolos, mas antes foram garotos que tinham sonhos, e fizeram besteiras e também fizeram muitas escolhas certas.”

“Existe uma sabedoria na juventude”, define Chay. “Um ímpeto que depois a gente muitas vezes ignora, ou prefere não acionar. Mas a gente vê que boa parte desse ímpeto e dessa sabedoria é o que leva o artista para frente. Esse filme fala muito sobre isso. Sobre um sonho que parecia loucura, de fazer rock na Tijuca. Ao mesmo tempo que parecia só intuição, eles estavam fazendo a coisa certa. Existia uma sabedoria muito grande de investir tempo naquele sonho ali”, completa o ator, que admite ter ainda a vontade de contar a história de Caetano Veloso no cinema.

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