Aliança de Bolsonaro com centrão e pressão de militares ameaçam ala ideológica do governo

Debora Álvares
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Militares criticam Ernesto Araújo desde o início da gestão por alinhamento integral com EUA.
Militares criticam Ernesto Araújo desde o início da gestão por alinhamento integral com EUA.

A possibilidade de um nome mais ponderado para o Ministério da Educação, com o convite ao secretário da pasta no Paraná, Ricardo Feder, abriu uma nova frente de disputa entre as alas militar e ideológica pela ocupação de espaços no governo. A demissão de Abraham Weintraub do MEC, que era visto como um dos nomes mais reacionários na gestão Bolsonaro, reposicionou as forças na Esplanada. Os ministros tidos como defensores do conservadorismo estão em peso muito menor agora. E correm perigo, a depender dos integrantes da caserna.

Damares Alves (Mulheres, Família e Direitos Humanos), Ernesto Araújo (Itamaraty) e Ricardo Salles (Meio Ambiente) estão na cota do núcleo ideológico. Para aumentar o peso do grupo, interlocutores têm colocado até mesmo o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, nessa conta. Justificam que ele é um “defensor ferrenho do presidente”, foi um dos “primeiros a defender a candidatura” de Bolsonaro à Presidência, além de ser amigo pessoal do mandatário.

Segundo apurou o HuffPost, o temor da ala ideológica advém do peso que as orientações militares têm tido sobre o presidente — “apesar do [Carlos] Decotelli”. O ex-ministro da Educação que iria substituir Weintraub entrou para a História como o mais rápido da gestão do MEC e acabou destituído do cargo por inconsistências no currículo. Essa derrota caiu na conta do núcleo militar palaciano, que o bancou.

A avaliação é que, embora popular entre apoiadores e nas redes sociais, Abraham Weintraub provocou um “dano político” e uma “perda de espaço” da ala ideológica junto ao presidente. Bolsonaro não queria demiti-lo, mas já estava desgastado com diversos apelos para tirar Weintraub do governo: de parlamentares a militares do Planalto, passando também por ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

O ex-ministro da Educação fez críticas em tom considerado de ameaça aos ministros da Suprema Corte na famosa reunião de 22 de abril...

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