Centenário da Semana de 22 terá Carnaval de rua, rock e punk na periferia

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo lança nesta quinta (8) a primeira parte da programação que marca as comemorações do centenário da Semana de Arte Moderna. O evento, que aconteceu na capital paulista em fevereiro de 1922, jogou luz sobre o modernismo, movimento que deu novos rumos à cultura brasileira no século passado.

Batizado de Modernismo 22+100, o projeto que abarca todas as atividades relacionadas à celebração do centenário começa oficialmente com a estreia do Ciclo Modernismo 22+100, com a divulgação de um vídeo-manifesto no qual a pasta apresenta sua visão do que chama de novo modernismo, e com o lançamento do site do projeto, o 22mais100.prefeitura.sp.gov.br. Além disso, até o fim de julho a prefeitura inaugura nove centros de referência do novo modernismo em bibliotecas municipais.

O manifesto que marca o centenário dá o tom de provocação e o peso que a efeméride tem para a pasta com a afirmação de que a "cultura enfrenta uma encruzilhada", mas que "a arte abre caminhos". E apresenta o que chama de novo modernismo: "a periferia no centro e o centro na periferia".

"O 22 de agora quer menos preconceito, menos elogio à ignorância e muito mais diversidade", diz o texto escrito por Hugo Possolo, diretor geral da Fundação Theatro Municipal, com participação do secretário de Cultura, Alê Youssef. "É mais que uma celebração, é a retomada cultural." "O conceito do novo modernismo é uma provocação que nós estamos fazendo", explica Youssef. "Em uma linha do tempo que liga 1922 a 2022, nós vemos o papel absolutamente fundamental dos movimentos culturais periféricos nesse processo. Desde o Carnaval de rua, passando pelo tropicalismo, o rock, o punk da periferia, a poesia e a literatura marginal, o teatro, o cinema, tudo de efervescente que aconteceu na nossa cultura chegando ao hip-hop, ao funk", diz. "Por isso, faz todo sentido a gente buscar esses elementos que nos afirmam e nos trazem essa potência que é a participação e força das culturas periféricas na construção da identidade cultural da cidade." Nove bibliotecas municipais ganharam um centro de referência ao novo modernismo, com acervos especializados no modernismo e no novo modernismo, além de uma programação dedicada ao tema. São elas, as bibliotecas Mário de Andrade, Alceu Amoroso Lima, Álvares de Azevedo, Amadeu Amaral, Brito Broca, Camila Cerqueira César, Cassiano Ricardo, Cora Coralina e Marcos Rey.

A prefeitura também vai lançar dois editais, um dedicado à criação e à reflexão artística da Semana de 22 e outro de apoio e incentivo à publicação de livros para o centenário.

Também há uma programação prévia para entre os meses de dezembro de 2021 a setembro de 2022, quando se comemora o bicentenário da independência do país. Entre as atividades citadas, estão shows de Música Antropofágica no Vale do Anhangabaú; o Festim no Vale --também no Anhangabaú--, inspirado no Banquete Antropofágico de 1929; cortejos modernistas em todas as regiões da cidade; um espetáculo do Balé da Cidade baseado na obra de Tarsila do Amaral; uma mini edição da Virada Cultural, entre outras.

A expectativa para a retomada cultural nas ruas da cidade é grande. "O 'plano A' para 2022 é a ocupação ampla, geral e irrestrita das ruas", afirma Youssef. "Claro que tudo vai ser feito de acordo com as limitações e liberações da área de saúde, por isso também temos um 'plano B', com os protocolos. Entretanto eu acredito que o 22+100 terá, sim, uma dimensão de ocupação cultural do espaço público."

O secretário lembra que parte das atividades comemorativas do centenário estão concentradas entre os dias 11 e 18 de fevereiro -e, se for possível, o primeiro final de semana pré-Carnaval será no dia 19. "Um encontro da retomada cultural com essa data tão simbólica é muito potente. E tem tudo para se encerrar num grande grito de Carnaval da Pauliceia Desvairada, para citar o Mário de Andrade."

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