Católicos do Paraná fazem campanha por 'Igreja Sem Partido'

O grupo já comprou quatro outdoors, e pretende instalar mais três (Foto: Reprodução/Facebook/Paulo Antônio Briguet)

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em protesto contra o arcebispo de Londrina, instalaram outdoors com a mensagem ‘Tirem o PT do altar’

  • ‘No meio dos pobres, não se fala disso’, responde padre

Em Londrina (PR), um grupo de católicos de organizou para protestar contra o arcebispo da cidade, dom Geremias Steinmetz. O motivo: eles acreditam que ele tem apoiado “causas comunistas”.

O chamado Movimento Brasil Católico instalou outdoors na cidade com a sua demanda: "Tirem o PT do altar". Além disso, distribuíram cerca de 6.000 adesivos e recolheram por volta de 3.000 assinaturas para a causa. Eles pedem providências a respeito do suposto posicionamento do arcebispo, e chegam a falar em substituição.

O arcebispo Geremias está no comando da Arquidiocese de Londrina desde agosto de 2018. Em janeiro, começaram os questionamentos políticos: foi nesse mês que Londrina recebeu o 14º Encontro Intereclesial das CEBs (Comunidades Eclesiais de Bases), que historicamente estão ligadas a movimentos políticos de esquerda. No primeiro dia do evento, faixas pedindo “Lula Livre” foram vistas no ginásio da cidade.

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O arcebispo voltou a ser alvo de críticas em junho, quando enviou uma carta autorizando as paróquias de Londrina a liberarem os seus funcionários para participarem da greve geral contra a reforma da Previdência, que aconteceu no dia 14 daquele mês.

O aposentado José Aparecido Ronchi, de 66 anos, afirma ao UOL que “igreja não é palanque nem lugar para discussão de ideologias”. Ele defende que a Igreja Católica está cada vez mais alinhada aos ideias da esquerda – não só em Londrina, mas no mundo todo. Para o fiel, o papa Francisco tem sido “oprimido” por cardeais esquerdistas, e por isso pôs em prática pautas como o Sínodo da Amazônia.

Ronchi admite que os 3.000 fiéis que colocaram seus nomes no abaixo-assinado contra o bispo representam apenas cerca de 1% dos 300.000 católicos de Londrina. No entanto, defende que não é uma questão de quantidade: "São pessoas de paróquias importantes".

Desde o início dos protestos, cerca de 70 dos 150 padres que fazem parte da Arquidiocese de Londrina manifestaram apoio ao arcebispo em um documento. O padre Alexandre Alves dos Anjos Filho, coordenador da ação evangelizadora da Arquidiocese de Londrina, foi um deles. Ele discorda do posicionamento de Ronchi, e defende que a chance de o arcebispo ser afastado por esses motivos é nula:

"Isso é um movimento isolado, de fiéis de algumas paróquias do centro da cidade, da região mais abastada. No meio dos pobres, não se fala disso."

Em nota, a Arquidiocese de Londrina lamenta que "alguns de seus posicionamentos evangélicos sejam confundidos por algumas pessoas com projetos de partidos políticos". Dom Geremias segue cumprindo seus deveres de arcebispo normalmente, e tem sido bem recebido nas paróquias que visita – especialmente na periferia, afirma Alexandre.