Estrutura do Catar para a Copa tem modernidade e cruzeiros para suprir falta de hotéis

Prédios enormes e modernos dominam a região de West Bay, em Doha. Foto: Tiago Leme

Por Tiago Leme (@tiago_leme), de Doha, no Catar

Impulsionado pela exploração de petróleo e gás natural, o Catar é um dos países mais ricos do mundo e, levando-se em conta o potencial financeiro, a infraestrutura não será um problema na Copa do Mundo de 2022. Localizado praticamente no meio do deserto, este pequeno país do Oriente Médio vem passando por uma mudança significativa nos últimos anos, ganhando cada vez mais construções modernas e obras sendo feitas em ritmo acelerado. Com isso, jogadores de futebol e torcedores devem encontrar estádios e demais instalações de excelente qualidade daqui a menos de três anos. Por outro lado, a pequena dimensão territorial gera preocupações. A rede hoteleira é um dos pontos de atenção, mas o alerta também está ligado para a concentração de milhares de turistas de várias partes do mundo juntos em uma espaço reduzido.

SIGA O YAHOO ESPORTES NO INSTAGRAM
SIGA O YAHOO ESPORTES NO FLIPBOARD

Com território de apenas 11,6 km2, o que equivale a um quarto do estado do Rio de Janeiro ou duas vezes o Distrito Federal, o Catar terá o Mundial de futebol concentrado em uma pequena área. Dos oito estádios, quatro estão localizados na capital Doha, e os outros quatro em cidades nos arredores. A maior distância entre duas arenas é de 70 km. Com isso, será possível assistir a dois jogos nas arquibancadas no mesmo dia e, dependendo dos horários, até três partidas neste período.

Leia também

No Mundial de Clubes realizado em dezembro de 2019, quando o Liverpool venceu o Flamengo por 1 a 0, considerado um evento teste, já foram observados alguns problemas. Os principais foram o trânsito, a região central da cidade lotada e raras opções de hospedagem com preços mais baixos. Isso porque os turistas que viajaram para o torneio eram praticamente apenas os flamenguistas, cerca de 15 mil brasileiros deram entrada no país naquela semana. Porém, a situação será mais complexa em 2022, quando são esperados mais de 1 milhão de torcedores de 32 seleções, de diferentes culturas, presentes ao mesmo tempo no Catar. O conflito do comportamento mais reservado dos cataris com a ânsia por festa e diversão dos estrangeiros é um desafio.

“Essa competição (Mundial de Clubes) é um teste em muitos aspectos. Primeiramente, a respeito dos fãs. Vamos descobrir as considerações, as preocupações que eles têm. Os clubes deste ano têm torcedores apaixonados, iguais aos das seleções. Isso nos ajuda a identificar o perfil deles. Já hospedamos várias partidas internacionais, vários eventos, mas agora será uma experiência única, com fãs vindo de seus países. Vamos testar o aeroporto, as acomodações, os transportes dentro da cidade. A experiência com os fãs será o mais relevante para nós”, afirmou Hassan Al Thawadi, secretário-geral do Comitê Organizador da Copa de 2022. 

Para aumentar o número de acomodações disponíveis, o governo já anunciou a construção de 16 hotéis flutuantes, que terão um total de 1.616 quartos e ficarão perto do estádio Lusail, o palco da final da Copa. As estruturas que ficarão sobre o mar são móveis e posteriormente podem ser deslocadas para outro ponto. Além disso, o Comitê Organizador da Copa também já fechou parceria com a empresa de cruzeiros MSC, garantindo mais 4.000 quartos em cabines em dois navios que ficarão atracados nos portos de Doha.

Catar terá hotéis flutuantes e navios durante a Copa para suprir a falta de hospedagem no país. Foto: Divulgação

A falta de opções de hospedagens mais baratas, como hostels, campings e apartamentos para aluguel (o Airbnb, por exemplo ainda é pouco utilizado) também é uma realidade do momento, mas até o Mundial a promessa é de uma oferta melhor. Desta forma, a expectativa é chegar a um total de 70 mil quartos de hotéis disponíveis no país, considerando toda a rede hoteleira e mais essas soluções provisórias, contra os 37 mil existentes hoje, para assim atender as exigências da Fifa.

Além de serem usados como hotéis, os navios atracados devem servir como área de entretenimento para os torcedores, com a possibilidade de haver bares e boates vendendo bebida alcoólica. Atualmente, em respeito às tradições da religião islâmica, só há venda de álcool em bares que ficam dentro de hotéis internacionais, com preço elevado. Na Copa do Mundo, Fan Fests serão criadas, e a comercialização de cerveja será liberada nesses espaços.

Se por um lado existem algumas preocupações na logística com o público durante o evento, por outro há a confiança na qualidade de outras estruturas. O time do Yahoo Esportes visitou alguns desses lugares em Doha. Além de novos estádios, o moderno sistema de metrô foi recém-inaugurado, no ano passado, com 3 linhas, 37 estações espaçosas e trens confortáveis. O país também conta com boas opções de lazer, como vários shopping centers, diversos tipos de restaurantes, museus, parques, praias e, claro, muitas mesquitas.

O moderno metrô de Doha foi inaugurado em 2019 e conta com estações perto dos estádios. Foto: Tiago Leme

“Isso aqui era praticamente um deserto. Hoje em dia tem lugares que eu vou que antes era deserto e hoje está todo com construções, já estão sendo habitados, coisas novas, hospitais novos, uma qualidade excepcional. Eu sempre costumo dizer, quem vier para essa Copa vai ser inesquecível, por tudo que a gente vê evoluindo a cada dia, porque aqui as coisas acontecem muito rápido. Uma construção gigantesca, eles costumam fazer em três anos, é 24 horas o pessoal trabalhando, então uma coisa incrível. A estrutura eu tenho certeza que não será problema nenhum. E eles têm já feito grandes eventos, têm mostrado muita organização, são bem atentos aos detalhezinhos para que tudo seja bem organizado”, afirmou o jogador brasileiro Rodrigo Tabata, do Al Rayyan, que está no Catar há nove anos.

Na área esportiva, um dos orgulhos dos Cataris é a Aspire Zone, um grande centro de treinamento em Doha, com instalações de primeiro mundo e equipamentos de ponta em uma área de 2,5 km2. O complexo parece até um parque olímpico e conta com arenas multiesportivas para diversas modalidades, incluindo o estádio Khalifa e um centro aquático. Essa estrutura atende desde crianças e adolescentes, atletas amadores até jogadores de futebol profissional. Nesta mesma área fica o Aspetar, um hospital que é referência mundial em medicina esportiva e especializado em ortopedia.

O ex-jogador espanhol Xavi, que está morando no Catar desde 2015 e atualmente é técnico do Al Sadd, foi nomeado embaixador da Copa do Mundo de 2022. Questionado pelo time do Yahoo Esportes sobre a estrutura do país, ele foi só elogios.

“Estou muito feliz aqui, com minha vida e a da minha família, é um país muito bom. Estou muito orgulhoso de fazer parte deste projeto. Eu acho que todo mundo vai se surpreender com o que é o Catar, todo mundo vai estar feliz aqui neste grande evento. Eu acho que eles têm boa organização, uma boa equipe, eles estão fazendo tudo muito bem, todo o país está focado no projeto da Copa de 2022 e também na educação, no esporte. Então todo mundo vai se surpreender com o Catar, eu tenho certeza”, disse Xavi, ex-Barcelona.

A Copa do Mundo de 2022 será realizada entre os dias 21 de novembro e 18 de dezembro, e a expectativa é que o Catar receba cerca de 1 milhão de turistas para o evento. O número é similar ao que Brasil e Rússia receberam nos Mundiais de 2014 e 2018, respectivamente, mas os dois países têm territórios bem maiores, e os torcedores ficaram mais espalhados. Nas duas últimas Copas, os fãs de países latino-americanos foram imensa maioria em relação a europeus e dos demais continentes, e o clima de festa foi um dos destaques do evento.

Siga o Yahoo Esportes

Twitter | Flipboard | Facebook | Spotify | iTunes | Playerhunter