Casamento pela metade: entenda os casais que passam parte do tempo separados

Gwyneth Paltrow com o marido, Brad Falchuk (Foto: Getty Images)


Com tantas mudanças acontecendo quando o assunto é relacionamento, é ingênuo pensar que o casamento nos moldes tradicionais também continuaria igual. Tanto que uma nova tendência tem despontado nos Estados Unidos e ganhado força nos últimos anos: é o casamento pela metade.

Conhecido em inglês como "part-time marriage", ele define um tipo de relação em que o casal vive alguns dias junto e em casas separadas no restante da semana.

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A atriz norte-americana Gwyneth Paltrow, por exemplo, comentou recentemente que é assim que ela e o atual marido, Brad Falchuk, têm esse modelo de relacionamento. Durante três noites na semana, ele mora com os filhos de um casamento anterior em sua casa em Brentwood, Los Angeles (EUA). Nos outros quatro, fica com Gwyneth e seus dois filhos, fruto do relacionamento com Chris Martin, vocalista do Coldplay, na casa da própria atriz.

Em outro exemplo, no filme ‘Sex And The City' a personagem Carrie e o marido, Big, também vivem uma experiência semelhante, em que os dois passam alguns dias dormindo em outro lugar. No caso da personagem, a ideia lhe rendeu uma série de inseguranças, mas, no fim das contas, foi vista como positiva para o relacionamento do casal.

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"A qualidade da relação não tem a ver com horas de permanência juntos, mas, sim, com a qualidade destas horas. O que vale mais: passar anos juntos mais ou menos ou passar algumas horas, ou alguns dias, em casas separadas e quando se encontrar ser de prazerosos momentos?", questiona Marlon Mattedi, psicólogo especialista em sexualidade do Sexo Sem Dúvida.

Essa decisão pode vir baseada em uma série de premissas. Segundo Oswaldo Rodrigues Jr., psicólogo especialista em terapia de casais, a rotina individual e os próprios desejos do casal (em ter ou não filhos, por exemplo) podem determinar o melhor tipo de relacionamento, de forma que os dois se sintam confortáveis. Nisso, viver em casas separadas ou até dormir em camas diferentes pode ser uma opção.

"Se compreendermos que precisamos de muito tempo livre e que dividir um ambiente com outra(s) pessoa(s) interferirá com nosso bem-estar e nosso cotidiano planejado, temos mais um ponto a favor de desejarmos morar uma parte do tempo sozinhos", diz.

Mas esse tipo de relacionamento funciona?

Responder essa pergunta é muito relativo. Depende justamente do que as pessoas envolvida precisam e buscam em um casamento - e chegar nessas conclusões demanda muita conversa e mente aberta para compreender o outro.

Para Marlon, algumas das vantagens que esse tipo de acordo oferece refletem até na cama. O sexo fica mais gostoso porque "mata as saudades" dos dias passados longe, cada um mantém a sua individualidade porque faz o que gosta a hora que bem entende, sem interferir na vida do outro, e aproveita melhor o tempo que passa sozinho.

Por outro lado, o psicólogo explica que, se não for bem alinhado, viver em casas separadas pode ser uma fonte de conflito: "Quando o casal não está maduro para essa prática, falta comunicação e problemas começam a acontecer. O que o outro está fazendo que eu não sei? Quem são as pessoas que ele (ela) recebe na casa dele (dela)? Que locais sociais ele (ela) está indo que eu não tenho controle? Se isso não for bem ajustado e o controle sobre o outro continuar existindo, pode gerar grandes problemas".

Outro ponto é lidar com as expectativas e julgamentos dos outros. Afinal, a sociedade é formada por uma série de convenções sociais que determinam, no mínimo, que duas pessoas casadas morem sob o mesmo teto.

"Ambos precisam saber, antecipadamente, como lidar com a frustração de não ter companhia todos os dias, todas as noites. Mas será mais provável que os que adotem este mecanismo já saibam como fazer isso", complementa Oswaldo.

Ou seja, antes de achar que viver parte do tempo em casas separadas é a solução para os seus problemas maritais, lembre-se que o mais importante é conhecer as próprias motivações e ter certeza que os planos de futuro que vocês têm individualmente e como casal permitam este tipo de arranjo.

Mais importante do que a quantidade é a qualidade do tempo passado junto. (Foto: Getty Creative)

E o sexo, como fica?

Tanto faz morar junto ou separado algumas vezes na semana. Se o relacionamento vai bem, o sexo também vai. Só a relação sexual não é o suficiente para sustentar um relacionamento totalmente, mas é um pilar importante para que ele seja duradouro.

"Não se dorme todos os dias juntos, então nos dias que estão juntos, o toque, o cheiro, a pele, lembra sempre uma novidade, algo mais raro, e por isso tende a despertar a vontade e o desejo sexual com mais facilidade. É só imaginar que casais de namorados tendem a ser mais ativos sexualmente do que casais na rotina do dia a dia, que passam todos os dias juntos", diz Marlon.

Para a vida sexual de um casal, a rotina pode ser um grande anti-afrodisíaco - e, claro, isso pode ser revertido de muitas maneiras -, mas para alguns essa distância pode ser essencial para manter a relação quente. O importante, porém, é lembrar que não existe uma regra.

"Não existe certo ou errado, existe o que faz um casal feliz. Existem tantos tipos de casamento quanto o número de casais no mundo. Cada casamento é único e não existirá nenhum relacionamento igual ao outro. Neste formato parece que são casais muito diferentes do padrão, só que não - somente são diferentes em alguns pontos", completa o especialista.

No fim, tudo cai sob o mesmo aspecto: a comunicação. Entender o momento que o casal está, tanto em conjunto como quanto partes individuais é importantíssimo para saber se a relação deve ou não continuar do jeito que está, se esses momentos à parte são necessários, ou se o que vocês buscam é, mesmo, ficarem juntos todos os dias da semana.

"As rotinas de um casal mudam ao longo dos anos, e os dois nem percebem que isso ocorre", diz Oswaldo. "O ideal seria que compreendessem as mudanças e proporcionassem mudanças de acordo com um projeto de vida. Mas muitos casais nem fizeram um projeto de vida a dois, apenas estão vivendo um dia após o outro... e assim não andam bem, não adianta jogar a culpa numa 'rotina'".

Em resumo, quer viva junto ou em casas separadas, durma na mesma cama ou em camas diferentes, o ponto principal é comunicar o que você quer, não quer e encontrar o que funciona para vocês como casal. Assim, seja na hora do sexo, seja nos encontros do dia a dia, a relação ficará cada mais forte, honesta e amorosa.