O amor é realmente cego? Especialistas comentam experimento de reality show

Lauren e Cameron, participantes de 'Love Is Blind' (Foto: Reprodução/Instagram @need4lspeed)

O experimento de ‘Love Is Blind’ (‘Casamento às Cegas’), reality show da Netflix que é sucesso no mundo inteiro, tenta responder uma única pergunta clichê: o amor é realmente cego? A atração promove encontros às cegas de pessoas que estão em busca do par ideal. Os “dates” acontecem em cabines individuais e eles só podem conversar — nada de troca de olhares, carinhos, beijos... Os casais só se conhecem quando decidem se casar. E tudo isso rola dentro de apenas um mês. Intenso! Mas será que é possível começar a amar alguém nesse cenário nada comum? Só pela voz e pelo o que o outro tem a dizer?

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Conversamos com duas especialistas e elas garantem: a paixão é cega, o amor não. “Não existem muitas regras para o amor surgir, mas, a princípio, esse sentimento é uma atração forte. O amor, em um primeiro momento, está mais ligado com o desejo do que com o afeto”, opina a psicóloga Marilene Kehdi. “Tudo é mais convidativo no flerte e você só seleciona o que quer ouvir em um encontro às cegas. Também existe o desejo de se conhecer, o que é proibido. Mas o amor precisa de muito mais do que as fantasias que criamos em torno de alguém”, diz a psicanalista Cristiane Maluf Martin.

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As coisas do coração são complexas. Por isso, não podemos duvidar do que os participantes sentiam durante as conversas nas cabines. É possível se apaixonar, sim, sem enxergar o outro. “São as palavras certas, o tom e a fala com empatia que seduz. As expectativas para o futuro e os valores também contam muito nesse processo. A paixão está conectada com os nossos sentidos e o estímulo auditivo é muito forte”, explica Marilene. “E encontrar alguém que tem a ver com você nesse ambiente não é difícil pois todos estão atrás do mesmo objetivo”, completa.

E é a partir daí que as “cobaias” de ‘Love Is Blind’ começam a idealizar o outro. “Eles focam na cultura que a pessoa transmite, o bom humor, o acolhimento... Ignora-se os defeitos e o parceiro ou parceira é ‘tudo de bom’. Durante os encontros às cegas, a magia e a curiosidade estão envolvidas. Mas tudo isso pode mudar quando o casal se conhece e começa a conviver”, pontua Cristiane.

O físico é importante — e muito!

Em ‘Love Is Blind’, nem todos os casais têm uma trajetória de sucesso. Quando eles saem das cabines e vão para a lua de mel no México, a convivência traz altos e baixos, o que é normal. “O amor é uma construção e é o dia a dia que vai mostrar o que é real ou não. O que pode minguar esse sentimento são as diferenças e a percepção de que o olhar não desperta o mesmo que a voz. E não estamos falando de beleza, mas de afinidades”, reflete Marilene Kehdi.

A falta de química também contribui para o fim de um conto de fadas — quem já assistiu ao reality sabe disso. “Durante a viagem eles ainda estão no estado de encantamento, mas na hora do ‘vamos ver’ pode não dar liga. A atração física e a sexualidade fazem parte do combo do amor”, lembra a psicanalista Cristiane Maluf.

Barnett e Amber: um dos casais mais "shippados" pelo público (Foto: Reprodução/Instagram @barnettisblind)

E quando um não quer, dois não fazem. “Pra dar certo, o investimento precisa ser bilateral”, diz Kehdi. Alguns participantes chegaram no final da primeira temporada do programa frustrados e sem uma alma gêmeas para chamar de sua. Porém fica a lição de que o amor próprio é o que mais importa.

“É importante que as pessoas troquem e se relacionem, mas enquanto a busca for só pelo outro, mais as decepções acontecem. Discordo de Tom Jobim quando ele diz que ‘é impossível ser feliz sozinho’. É impossível ser feliz com o outro se não tiver feliz consigo mesmo. O outro é só o detalhe, a cereja do bolo”, garante Cristiane Maluf.

‘Love Is Blind’ (‘Casamento às Cegas’) foi renovada para mais duas temporadas na Netflix e nós mal podemos esperar para acompanhar as descobertas dos próximos casais.