Casal fala sobre adoção por LGBTQs: 'Não é um ato de caridade'

Higor Dorta
Reprodução/Instagram @papais_a_bordo
Reprodução/Instagram @papais_a_bordo

Juntos desde 2016, o engenheiro de segurança do trabalho e ambiental Márcio Toshio Uesugui e o empresário Bruno Pacheco Carramenha construíram uma bela família. Eles são pais de Débora e Wesley — adotados já mais velhos — e provam que os tempos são outros quando falamos de adoção para casais LGBTQ.

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Em conversa com o Yahoo, Márcio ressalta que a adoção é sim uma possibilidade real, porém é preciso mais atenção ao tema. “Felizmente, várias adoções que vimos acontecer no abrigo em que visitamos, foram por casais gays. Ainda assim, acho que o assunto precisa ser mais difundido na comunidade LGBT”.

“Cada criança disponível para adoção tem uma história de vida diferente que não deve ser ignorada. Respeite o passado de cada um. Não deixe que o assunto (adoção) seja um tabu na família. Seja sincero e verdadeiro com seus filhos. Algumas pessoas podem te elogiar pelo ‘ato de caridade’. Entenda que a adoção não é um ato de caridade, é um ato de amor”, diz Toshio.

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A vontade de formar uma família surgiu quando Bruno realizava um trabalho com crianças órfãs. “Ainda antes de conhecer o Márcio, fazia parte de um programa de apadrinhamento afetivo. No início do projeto, todos os adultos saíam juntos com as crianças do abrigo para que o pareamento dos afilhados fossem estabelecidos de acordo com as afinidades de cada um”, relembra.

Foi lá que ele conheceu a jovem Débora, de 16 anos, que o escolheu para ser seu padrinho. Quando a menina completou 18 anos (e Bruno já estava namorando Márcio), o casal a convidou para viver com eles. “Foi então que começamos a nos entender como família”, diz Bruno.

A família aumentou em 2016, quando eles conheceram Wesley, 8 anos, também no abrigo. E o fato de trabalharem no projeto facilitou o processo de adoção do garoto, por exemplo.

“Foi um processo fácil e rápido, já que já conhecíamos o Wesley por cerca de 1 ano e já tínhamos um vínculo de apadrinhamento com ele. Por isso foi um pouco diferente do padrão”.

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Sistema

Dividido em várias partes, o procedimento começa com um bate-papo entre uma psicóloga e uma assistente social, com o objetivo de analisar a possibilidade de adoção. A primeira reunião aconteceu em agosto de 2018 e no mês seguinte, a adoção foi formalizada com as mesmas profissionais.

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“Ao final de novembro, recebemos pela juíza da Vara da Infância a guarda por tempo indeterminado do Wesley e já veio morar conosco (estágio de convivência)”. Após o período de convivência, mais uma reunião foi realizada para analisar a relação dos pais com o menino e, em seguida, uma visita da assistente social.

“Recebemos a visita em casa da assistente social, como parte do processo de adoção. Também tivemos uma última reunião, como parte final da avaliação da psicóloga. Agora, estamos aguardando receber os novos documentos do Wesley (previsão para maio de 2019)”, conta Márcio feliz.

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