Carta assinada por 20 organizações médicas e científicas pede a Bolsonaro medidas mais restritivas de isolamento

Rodrigo Souza*
Praia do Leblon, no Rio, vazia em razão da Covid-19

RIO - Um grupo de entidades médicas e científicas divulgou nesta sexta-feira uma carta endereçada ao presidente Jair Bolsonaro em defesa de medidas mais restritivas para o isolamento social com o intuito de conter a epidemia do coronavírus no país.

O texto leva a assinatura da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e mais 17 organizações. "Os países que defenderam anteriormente um distanciamento social limitado, como Itália, EUA e Inglaterra, assistem agora a um quadro desastroso, com dezenas de milhares de pacientes infectados e mortos pela doença, além de hospitais sem insumos (materiais e humanos) suficientes para o combate ao coronavírus", diz o documento.

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E ainda: Mandetta diz que isolamento social evitou disparada de casos no BrasilO texto menciona que, após mudar de conduta, esses países começaram a ver alguns sinais de controle da epidemia. E ressalta: "Manter o isolamento social com a paralisação das atividades não essenciais é uma medida dura, mas necessária".

Para cientistas:Isolar apenas idosos não é suficiente para combater coronavírusA carta destaca ainda que as medidas restritivas são recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e se baseiam em evidências científicas.A iniciativa do posicionamento é da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e da Sociedade Brasileira de Virologia (SBV).

Presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Juarez Cunha reafirma a posição da comunidade médica em defesa do isolamento social:

- A SBIm já tinha se manifestado antes, quando, em discurso, o presidente Jair Bolsonaro questionou a importância das medidas restritivas. Agora, surgiu esse movimento de diferentes associações médicas, científicas e acadêmicas para reforçar esse posicionamento. Confiamos nas medidas que o Ministério da Saúde tem tomado, sobretudo porque essas medidas são exatamente o que é proposto pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e pelos governos dos países, em especial daqueles que já passaram por uma fase bem mais difícil, pela qual a gente ainda não passou.Cunha defende ainda que tudo o que tiver de ser feito para evitar o estrangulamento do sistema de saúde deve ser feito, e que a principal dessas medidas é a quarentena da população.Outra providência necessária, porém, é a testagem em massa, mencionada na carta das associações a Bolsonaro:

"Muitos testes serão também necessários para organizar de forma adequada a saída do isolamento social", diz o texto, antes de concluir: "Será também importante a testagem ampliada com testes sorológicos de alta sensibilidade, cujo objetivo será acompanhar o estado imunitário da população em geral".A carta se encerra com um pedido a Bolsonaro: decisões respaldadas pela ciência:

"É de extrema importância que Vossa Excelência, neste momento de crise, embase as decisões que lhe competem como Chefe da Nação, no aconselhamento dos especialistas da área da saúde e na melhor ciência disponível sobre o tema."

*Estagiário sob orientação de Flavia Martin

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