Carrefour: Segurança achou que João Alberto "fingiu" ao parar de se mexer

Colaboradores Yahoo Notícias
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Segurança terceirizado do Carrefour que atuou no assassinato de João Alberto Silveira Freitas, em Porto Alegre, o ex-policial militar temporário Giovane Gaspar da Silva, de 25 anos, afirmou em depoimento que continuou agredindo o cliente do hipermercado por acreditar que ele “estivesse fingindo” quando parou de se mexer.

Beto, de 40 anos, foi espancado até a morte por Silva e pelo segurança Magno Braz Borges, 30, na noite de 19 de novembro, gerando protestos no dia seguinte, feriado da Consciência Negra. Os dois estão presos, como a agente de fiscalização do Carrefour Adriana Alves Dutra, de 51 anos.

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O ex-PM prestou depoimento durante quatro horas, na última semana. Ele foi expulso da Brigada Militar por ter cometido uma transgressão grave.

“Após imobilizar João Alberto, ou seja, ele parou de se debater, ficou com receio de soltá-lo eis que era uma pessoa forte e poderia novamente agredi-lo. Constatando que João Alberto havia parado de reagir e que, ao olhar para seu rosto, estava com os olhos abertos, pensou que ele estivesse fingindo e que, a qualquer momento, poderia voltar a reagir”, diz trecho de depoimento de Silva publicado pelo portal UOL.

Um funcionário da empresa de segurança Vector, contratada pelo Carrefour, conferiu os sinais vitais e disse que Beto estava respirando. Contudo, um cliente se aproximou e observou que ela estava morto.

“Percebendo que João Alberto perdera os sentidos, acreditando que pudesse ter desmaiado, pediu que novamente fosse verificado seus sinais vitais, ao que foi feito por um senhor que confirmou que não foram mais detectados”, disse o ex-policial militar.

Silva reconheceu ter ficado “muito nervoso” com a morte do cliente e questionou a agente de fiscalização do hipermercado sobre o resgate do SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Adriana respondeu que a ambulância estava a caminho.

O ex-PM relatou que aquele era seu primeiro dia de trabalho no Carrefour. Defendeu sua ação para tentar imobilizar Beto, disse que “não queria machucar”, nem tinha “intenção de causar a morte” da vítima. Negou ainda ter escutado a vítima falar que não conseguia respirar e que tenha colocado os joelhos nas costas de Beto, diferentemente do que aparece em vídeo.