Carol Duarte comenta situação política do país: "Todas as minorias precisam resistir"

Carol Duarte. Foto: Maurício Fidalgo/TV Globo

Protagonista do filme “A Vida Invisível”, dirigido por Karim Aïnouz e representante do Brasil na corrida ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, Carol Duarte se diz “chocada” com a situação política atual do Brasil em relação às minorias. No entanto, a atriz, que é homossexual e despontou na TV com uma personagem trans, Ivana/Ivan, em “A Força do Querer”, acredita no poder da resistência da sociedade contra a violência.

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“Assim como boa parte das pessoas, estou chocada. Mas, ao mesmo tempo, entendendo quais são os mecanismos de resistência. Nós existimos e eles não podem fazer nada”, afirmou a atriz, em entrevista ao site “Glamurama”.

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“Existem casais homoafetivos, famílias homoafetivas. Não há o que ser feito contra. E é como aconteceu na Bienal do Rio de Janeiro. As pessoas vão ler aquele livro, talvez mais do que leriam antes da polêmica. Mas não é mais uma questão só dos LGBTs. Os pobres, os negros, todas as minorias precisam resistir”, disse.

Orgulhosa de sua primeira experiência no cinema, Carol também se prepara para voltar à TV como Solange na série “Segunda Chamada”, na Globo. Ela interpreta uma jovem que vende bala no transporte público para sustentar o filho recém-nascido.

“Essas mulheres existem, estão nas ruas. É uma realidade muito concreta no nosso país. Solange é uma jovem que precisa vender bala no transporte público pra sustentar a filha. Mas o estranho é que, muitas vezes, pensamos que isso está longe da nossa realidade, que é mentira. Acredito que as pessoas fecham os olhos porque não querem ver. É uma realidade difícil, que machuca”, analisou.

Segundo a atriz, a personagem evidencia uma realidade de muitas pessoas. “O núcleo dela é todo envolto da maternidade, de estar sozinha cuidando de um bebê que acabou de nascer, em um ambiente socioeconômico bastante precário. E para a mulher é bem mais difícil né. A Solange tem uma criança que não sobrevive sem ela. O aborto feminino não é legalizado, mas o masculino é visto com normalidade. Para as pessoas, tudo bem o cara abandonar mulher e criança. É um assunto muito complexo”, opinou.