Pare de julgar Carla Diaz e analise as atitudes de Arthur no 'BBB 21'

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A relação de Carla e Arthur tem gerado muitas reações do público que acompanha o 'BBB 21' (Foto: Reprodução)
A relação de Carla e Arthur tem gerado muitas reações do público que acompanha o 'BBB 21' (Foto: Reprodução)

Depois do paredão falso da semana passada, a relação de Carla Diaz e Arthur no 'Big Brother Brasil 21' voltou a ser assunto de conversa. Aliás, uma foto do "casal" até mesmo viralizou de ontem para hoje, mostrando o que todo mundo aqui fora já entendeu: o instrutor de crossfit claramente não tem mais interesse em ficar com a atriz na casa.

É uma situação delicada. E dizemos isso no sentido de interpretação mesmo. De um lado, temos muitas mulheres que se identificam com o comportamento de Carla, de correr atrás e se jogar de cabeça na relação com alguém que não compartilha do mesmo sentimento. Aliás, usuários do Twitter chegaram a comentar como a situação envolvendo os dois escancara o medo das mulheres de ficarem sozinhas.

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Essa é uma questão da socialização feminina, e diz respeito à maneira como fomos entendidas e ensinadas ao longo da história - afinal, quem se lembra que, séculos atrás, uma mulher sem pretendentes de casamento era uma desonra para a própria família? Inclusive, essa foi uma questão muito bem abordada no livro Orgulho e Preconceito, de Jane Austen, em que ela questiona a questão do casamento obrigatório e dos dotes pagos aos homens pelo matrimônio.

Aceitar que é possível ser feliz solteira - e que estar solteira não é sinônimo de solidão e "estar sozinha"- é complexo e um entendimento que passa por muitas camadas. Não podemos deixar de pensar, por exemplo, na solidão da mulher negra; na gordofobia, que, muitas vezes, isola mulheres gordas; e até mesmo na fetichização de mulheres asiáticas. Tudo isso colabora para a cultura do medo de ficar sozinha, que, inclusive, faz com que as mulheres aceitem migalhas afetivas, mesmo de forma inconsciente, para evitar a solidão.

Mas tem um outro lado também: se você perceber, é muito comum existirem comentários apenas sobre o comportamento de Carla, tirando da equação as atitudes de Arthur, o que pode ser considerada uma visão misógina das coisas. Para quem não tem costume de ouvir o termo, misoginia significa "ódio ou aversão às mulheres". Não necessariamente essa misoginia aparece (apenas) como violências de qualquer tipo, mas também no sentido da mulher ser colocada como culpada e ser constantemente julgada pelas decisões que toma, enquanto o homem sai "ileso" da situação.

Colocamos "ileso" entre aspas, porque, para quem assiste ao 'BBB', fica muito claro que Arthur é uma pessoa que tomou uma série de atitudes dentro da casa que acabaram contra ele mesmo e, sem Projota para dizer o que fazer, ele sai da casa queimado e, possivelmente, com um nível de rejeição alto.

Mas, em relação à Carla, a obviedade do não-interesse é proporcional à sua falta de sinceridade. Arthur fez de tudo para ficar com a atriz, demonstrou interesse, se disse encantado, que a presença da sister era a melhor coisa que tinha acontecido para ele no programa e insistiu até conseguir o que queria. Depois… bem, vemos o instrutor se escondendo atrás de Projeta para evitar contato com a atriz, para desconversar vontades e convites de alguém que foi seduzida e, agora, tem interesse nele.

Ao invés de ser maduro e sincero e falar que o encantamento passou e que ele não quer mais ficar Carla, ele faz o contrário: não diz nada, deixa a atriz no escuro, tentando entender o que está acontecendo. De outro lado, temos um exemplo do que é ser um pouco mais sincero em uma relação: desde o começo, Fiuk foi claro sobre o que sentia por Thaís e que não tinha interesse em aprofundar a relação ou começar um namoro na casa.

Como vimos nas redes sociais, tem quem considera as atitudes de Arthur como as de um moleque - e faz sentido, porque demonstra imaturidade. Já falamos muito sobre responsabilidade afetiva por aqui e, considerando o histórico de Carla, a superação de um câncer, o fato de essa ser uma primeira relação (da qual temos conhecimento, claro) após a cura, e até o nível de exposição, era de se esperar um mínimo de maturidade e consciência nessa lida.

De fato, o 'BBB' é um jogo e fazer um casal é, sim, uma estratégia de fortalecimento bastante conhecida dentro e fora da casa - quem aí viu Jogos Vorazes? O que acontece entre Peeta e Katniss é exatamente isso, a formação de um casal para vender uma narrativa e vencer o jogo.

O exemplo pode ser extremamente popular, mas ele tem respaldo no que acontece em tantos programas e realities que vemos por aí. De qualquer maneira, é o que Arthur parece ter feito também. No entanto, manter alguém no escuro é o ápice da insinceridade. Carla poderia direcionar sua energia para outras coisas ao invés de se manter atrás de alguém que não quer nada, mas também não solta a corda.

Difícil saber o que vai acontecer agora que Projota foi eliminado - uma possibilidade é que Arthur segure ainda mais firme a "relação" com Carla para não perder aliados e ficar sozinho no jogo. Pode ser também que ele decida que o momento é de se unir a outras pessoas na casa. Independentemente da escolha, está mais do que na hora de a sinceridade ser colocada na mesa e do público parar de julgar gratuitamente um único lado de uma relação.

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