Levanta, Carla Diaz, mulher nenhuma precisa de migalhas afetivas

Marcela De Mingo
·6 minuto de leitura
Muitos usuários do Twitter comentaram o quanto doeu ver Carla Diaz se declarando de joelhos para Arthur (Foto: Reprodução / BBB)
Muitos usuários do Twitter comentaram o quanto doeu ver Carla Diaz se declarando de joelhos para Arthur (Foto: Reprodução / BBB)

O assunto da semana, quando se fala no 'Big Brother Brasil 21', foi o paredão falso que tirou Carla Diaz de dentro da casa mais vigiada do país para assistir por dois dias tudo o que acontecia lá dentro em um quarto secreto. Passado o período, lá estava ela, de volta, primeiro disfarçada como dummy (os ajudantes sem rosto da produção), depois, como ela mesma, revelando a própria fantasia. A cena que mais doeu, no entanto, foi uma que viralizou nas redes sociais: Carla de joelhos no gramado, dando a mão e se declarando para Arthur.

Doeu porque é difícil engolir uma situação que, para quem vê de fora, é tão furada como o relacionamento do casal. Uma relação que já era estranha desde o começo, aparentemente sem química. Mas isso, claro, para quem assiste às edições muito bem feitas do programa e acompanha o Pay Per View sempre que pode. Para ela, que vê (literalmente) de dentro, é difícil reconhecer quando um lado se envolve mais do que outro.

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A aliança de Arthur com Projota já deixou clara as prioridades do crossfiteiro. Tanto que rendeu uma série de memes na internet que dispensam explicação, mas se Barney Stinson, o polêmico personagem de How I Met Your Mother pudesse dizer algo a respeito, ele talvez dissesse um de seus lemas mais marcantes: "bros before hoes", algo como "amigos antes das vadias". O linguajar é baixo, mas a ideia é colocar a amizade entre dois homens acima de qualquer coisa, inclusive de mulheres.

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Tem um motivo para o parágrafo anterior. É que esse posicionamento ficou muito escancarado na última prova do líder, que aconteceu na quinta-feira (11) e fez de Fiuk o líder da semana. Carla, claramente afetada pela prova, anunciou que não estava bem e que iria desmaiar. O namorado, nada fez. Thais demonstrou a sua preocupação e buscou saber o que fazer. Juliette, dupla de Carla na prova, deixou a competição em segundo plano para ajudar a amiga, que deitou no chão quando a pressão caiu de vez.

Diz o Twitter que ajudar a pessoa que você gosta quando ela passa mal é o mínimo que se espera de um relacionamento. De fato, essa reciprocidade de cuidado é, mesmo, esperada, e como os vídeos insistem em mostrar, não foi isso o que aconteceu no momento da prova, em que Arthur não se mexeu e manteve o foco na busca pela liderança com Projota.

Outros registros postados na rede social mostram que Arthur conseguiu o que queria: xavecou e insistiu na relação com Carla ao ponto de ficar com ela. Depois disso, do jogo da sedução, parece que o interesse caiu por Terra do lado dele, enquanto o dela só aumentou - vide a declaração de joelhos com direito a pedido de namoro.

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Mas o que realmente toca o público é que todo mundo, em algum momento da vida, já foi como Carla. Ou está sendo como ela agora. Ou ainda será. Relações amorosas são complexas e funcionam em muitos nuances diferentes, mas que atire a primeira pedra quem nunca se apaixonou demais por alguém e fez o famigerado "papel de trouxa". E precisamos pensar no futuro porque ver o que acontece com alguém tão claramente não desanuvia a nossa própria visão para identificarmos quando estamos passando pela mesmíssima situação.

É por isso que ver Carla ajoelhada no gramado da casa do 'BBB 21' gera desconforto. Dá uma vergonha alheira, uma vontade de falar "Mulher, valorize-se, tenha amor-próprio!". A gente quase se contorce diante das imagens de tanto estranhamento e identificação que aquilo gera. Porque pode não ter acontecido de verdade, mas, metaforicamente falando, todas nós já fizemos uma declaração de joelhos para alguém - e, de novo, dizem algumas usuárias Twitter que só há um motivo para ficar de joelhos diante de um homem, e olhe lá!

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Dói porque todo mundo já se viu numa posição de cegueira amorosa tão grande que não percebeu que o investimento não era recíproco. 

Mas o medo de ficar só, de não ser amada ou até desejada por alguém nos faz aceitar até as menores das migalhas, só para afirmarmos para nós mesmas na frente do espelho: "Alguém me ama".

Longe de nós entrarmos no mérito da autoajuda, mas a questão é que a máxima "amor atrai amor" pode ser clichê, mas não é uma máxima à toa. Desenvolver a confiança, o amor-próprio e o carinho por si mesma é o que abre os olhos para relações que não acrescentam e não nos levam mais longe. A imagem de Carla no gramado é marcante porque mostra não só onde ela se coloca - abaixo de Arthur -, como também a maneira como ele a vê. Ficar bem com o amigo Projeta parece mais interessante do que investir em alguém que despertou o seu interesse e se apaixonou por você. E longe de nós, também, ditar que as pessoas devem continuar em um relacionamento quando não gostam do respectivo parceiro. Pelo contrário, aqui, a honestidade deve reinar e é melhor cada um seguir o próprio caminho do que gastar recursos emocionais em uma relação que não é recíproca.

Buscar sair dessa posição leva tempo e auto-descobrimento, e ainda assim não garante com 100% de certeza que não cairemos em uma situação semelhante no futuro. E não é o Brasil inteiro gritando "É uma cilada, Bino", que vai fazer com que Carla perceba que está amarrando seu burro numa cadeira de plástico, e que ele pode sair andando a qualquer momento. Leva tempo e paciência, principalmente, consigo mesma. Vigilância e atenção constantes também são necessárias, para não permitir que a nossa visão fique e se mantenha nublada a próxima vez que alguém nos der atenção. Que, no mínimo, o que aconteceu com Carla possa servir de aviso para quem vê do lado de fora, nos deixando mais próximas do momento em que vamos olhar no espelho para dizer: "Levanta, mulher, você não precisa de migalhas de afeto de ninguém".