Carimbó, tecnobrega e Amazônia dão o tom de encontro paraense

LAURA LEWER
RIO DE JANEIRO, RJ, 03.10.2019 – EVENTO-ROCK IN RIO: Show das cantoras Pará Pop com Dona Onete, Gaby Amarantos, Lucas Estrela, Fafá de Belém e Jaloo, no palco Sunset, durante o primeiro dia do segundo final de semana do festival de música Rock in Rio, realizado no Parque Olímpico, na zona oeste do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (3). (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Nomes clássicos e novos talentos da rica cena musical do norte do país deram cores e ânimo extras à primeira tarde de céu azul do Rock in Rio desde o seu início, na última sexta (27).

Carimbó, guitarrada, tecnobrega, lambada e até pop eletrônica foram ouvidos no palco Sunset, que recebeu uma festa paraense comandada por Dona Onete e os conterrâneos Fafá de Belém, Gaby Amarantos, Jaloo e Lucas Estrela.

Aos 80 anos, a rainha do carimbó tem feito movimentos para se aproximar do público mais jovem --assim como Elza Soares, que no domingo (29) também se apresentou cercada de novos rostos.

A paraense figura em lineups de festivais como o paulistano Coala, que aconteceu em setembro, e fez participações em músicas de Jaloo, Felipe Cordeiro e Emicida. Para completar, sucessos como "Jamburana" e "No Meio do Pitiú" sempre aparecem nas baladas de brasilidades.

Quando levadas ao palco, as músicas de Dona Onete ainda ganham a força do carisma de uma vovó de voz e presença imponentes que dança e sorri o tempo inteiro sentada em uma espécie de trono florido. Sem contar a banda, que inclui Pio Lobato, um dos nomes mais importantes da guitarrada.

Produzido por Pio, o músico Lucas Estrela fez a primeira participação no show, com sua viagem instrumental a seu estado de origem e o resgate das sonoridades da guitarrada e do tecnobrega.

Quem também visitou o brega foi Gaby Amarantos, uma das cantoras a emplacar o gênero no mainstream com "Ex Mai Love".

Em "Chuva", música de Jaloo que o levou ao palco, Gaby pediu pensamentos positivos para a Amazônia. "Ela está pegando fogo neste exato momento com esses incêndios criminosos. Que a gente se conscientize de que precisamos cuidar da nossa floresta."

A dupla ainda dividiu os vocais em "Céu Azul" e "A Cidade", canções de Jaloo que fizeram a plateia pular antes de receber Fafá de Belém.

A cantora apareceu no palco com uma pintura indígena no rosto e endossou o discurso da proteção da Amazônia, dizendo que "floresta boa é floresta em pé", o que causou gritos de "Lula livre" na plateia.

Na parte final da apresentação, os convidados embarcaram em uma sequência de carimbó e cantaram juntos sucessos como "Vermelho", "Sinhá Pureza" e "Ilha do Marajó". Terminaram dançando e sacudindo bandeiras do Pará, com Dona Onete em pé, cantando "Banzeiro".

Um dos mais animados do Rock in Rio, o show foi mais uma prova de que um dos pontos altos desta edição do festival são as dobradinhas entre artistas --necessário respiro de originalidade em um lineup dominado pelo rock antigo e o pop de rádio.