Cannes prepara decolagem com Tom Cruise e 'Top Gun', sem esquecer a Ucrânia

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O conflito ucraniano estará presente no 75º Festival de Cinema de Cannes, que começa na próxima terça-feira (17) com Tom Cruise e sua nova versão do mítico "Top Gun".

Para um retorno triunfante, com milhares de participantes e sem máscaras, o festival francês abre as suas portas não só aos criadores ucranianos, mas também a seus adversários russos.

O concurso anunciou nesta quinta-feira que vai apresentar o filme que o lituano Mantas Kvedaravicius rodou na cidade ucraniana de Mariupol, onde ele morreu em abril.

O longa "Mariupolis 2" (1h45) "mostra a vida que continua sob as bombas" e foi acrescentado à lista oficial de filmes, explica um comunicado, que destaca ainda suas "imagens trágicas e esperançosas ao mesmo tempo".

A namorada e editora de Kvedaravicius conseguiu montar o filme após a morte de seu criador.

Já um jovem diretor ucraniano, Maksim Nakonechnyi, apresenta "Bachennya Metelyka", ambientado no conflito em Donbass, que eclodiu em 2014 nos territórios pró-russos do leste da Ucrânia.

Outro ucraniano, Sergei Loznitsa, já com uma longa carreira, participa com o filme "The Natural History of Destruction".

- 21 filmes na disputa -

"Top Gun: Maverick", dirigido por Joseph Kosinski e exibido em paralelo à competição, traz de volta um dos maiores sucessos cinematográficos dos anos 1980. Cruise, que produz o filme, volta a interpretar o piloto rebelde Pete Mitchell, acompanhado por Val Kilmer.

Vinte e um filmes disputam a Palma de Ouro. Do lado ibero-americano, a seleção finalmente faz justiça ao cinema em espanhol, especialmente aos novos cineastas.

O espanhol Albert Serra, um velho conhecido de Cannes, apresenta mais uma vez seu olhar sobre o cinema de autoria com "Pacifiction", interpretado pelo ator francês Benoît Magimel, e ambientado em uma ilha do Pacífico.

Serra disputa com o canadense Cronenberg, outro veterano em Cannes, que apresenta "Crimes of the Future", uma turbulenta história de exibicionismo de órgãos humanos.

Os irmãos belgas Dardenne, com dois filmes laureados com o prêmio principal, mantêm sua reputação de cinema engajado com "Tori et Lokita".

A diretora francesa Claire Denis, uma das cinco mulheres na corrida pela Palma de Ouro, apresenta "Stars at Noon", uma história ambientada na Nicarágua.

O russo Kirill Serebrennikov, conhecido por suas posições a favor da comunidade LGTB+, que conseguiu deixar seu país após problemas com a lei, concorre com um filme sobre a vida do compositor Piotr Tchaikovsky e sua esposa.

Também concorrem o americano James Gray ("Armaggedon Day") e o iraniano Ali Abassi ("Border").

- Autores de novelas da América Latina -

Além de Serra, vários longas-metragens da Espanha e da América Latina participam de outras categorias, como "Domingo y la niebla" do costarriquenho Ariel Escalante.

O chileno Patricio Guzmán, cronista da conturbada história de sua nação, apresenta o documentário "Mi País Imaginario" em sessão especial.

Também será exibido o filme "As Bestas", ambientado na Galiza, do espanhol Rodrigo Sorogoyen ("El Reino").

Os demais são, em sua maioria, novos cineastas, como a espanhola Elena López Riera, que apresenta "El agua".

O colombiano Fabián Hernández estreia com "Un Varón", seu compatriota Andrés Ramírez Pulido com "La jauría" e a chilena Manuela Martelli com "1976".

Todos eles disputam a Câmera de Ouro, que premia o melhor estreante da edição, e cujo júri será presidido este ano pela atriz espanhola Rossy de Palma.

"Dalva", da jovem belga Emmanuelle Zicot, também se destaca entre as produções dos novatos.

Além de Tom Cruise, são esperados no tapete vermelho deste ano Viggo Mortensen, Kristen Stewart, Cate Blanchett e Léa Seydoux.

O australiano Baz Luhrman ("Moulin Rouge") desperta emoção com "Elvis", sobre o rei do rock'n'roll, fora de competição.

O ator americano Forest Whitaker ("Bird"), 60 anos, receberá a Palma de Ouro de Honra.

Presidido pelo ator francês Vincent Lindon, o júri desta edição dará o seu veredicto no dia 28 de maio.

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