Candidíase no verão? Saiba como evitar e confira tratamentos naturais

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Estima-se que cerca de 75% das mulheres desenvolvam ao menos uma vez na vida a chamada candidíase vaginal. Uma infecção fúngica que, embora possa ocorrer em qualquer época do ano, é bem mais comum no verão, segundo os especialistas entrevistados pelo Yahoo. Portanto, é nesse período que os cuidados devem ser redobrados.

Caracterizada por uma intensa coceira –que só quem já teve sabe quão incômoda é –, a infecção também provoca um corrimento esbranquiçado, semelhante a leite talhado, como aponta Sérgio Podgaec, ginecologista obstetra e vice-presidente da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein. “Pode ainda causar vermelhidão e inchaço na região genital, além de provocar dor tanto para urinar como na relação sexual.”

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“A candidíase é causada pelo fungo Candida albicans, que normalmente vive no organismo sem causar danos. Mas, com o desiquilíbrio no sistema imunológico, sua população pode aumentar e provocar a infecção”, explica Silvana Quintana, vice-presidente da Comissão Nacional de Especialidade de Trato Genital da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

Um enfraquecimento que pode ser provocado pelo estresse, por distúrbios hormonais [por isso a infecção é mais comum em grávidas e em quem tem diabetes] e até pelo uso de antibióticos. “Isso porque esse tipo de remédio costuma matar tanto as bactérias que estão provocam a infecção como aquelas que defendem o organismo”, explica Quintana. Mas, segundo ela, ambientes quentes e úmidos também favorecem a proliferação do fungo. O que faz do verão um ‘fator de risco’.

Cuidados!
Nas altas temperaturas, além de transpirar mais, passa-se mais tempo com roupas de banho úmidas. “Não quer dizer que passar um dia com o biquíni molhado basta para ter candidíase. Não é isso. O recomendado é ter bom senso e não abusar”, sugere Quintana, que diz que o cuidado deve ser maior entre as mulheres que têm candidíase de repetição –ou seja, aquelas que tem cerca de quatro episódios da infecção por ano. “Quadro que atinge de 5 a 10% das mulheres.”

A recomendação, de acordo com Podgaec, é usar calcinhas de algodão, além de evitar calças sintéticas e justas. “Isso porque esse tipo de roupa abafa a região íntima e pode provocar o desequilíbrio da flora genital natural”, alerta o ginecologista, que sugere roupas leves e confortáveis.

Mas, se mesmo tomando os cuidados necessários, você vier a ter a candidíase, não se desespere. A infecção é curável. Basta procurar a ginecologista, que, diante da confirmação do diagnóstico, poderá indicar o uso de remédios antifúngicos –podendo ser via oral ou via vaginal.

Possibilidades terapêuticas naturais

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O Coletivo Feminista, que atua na atenção primária em saúde das mulheres, sugere algumas opções terapêuticas naturais para auxiliar no alívio dos sintomas da candidíase, que inclui banhos de assentos com melaleuca (também conhecida como árvore do chá), camomila, calêndula ou bicarbonato de sódio. Também recomendam passar dentro da vagina alho, babosa, óleo de coco e até iogurte natural (sem sabor e sem adição de açúcar).

“A reposição de lactobacillus do intestino pode ser feita ainda com consumo de fermentados como kefir e kombucha ou ainda com cápsulas manipuladas de Lactobacillus acidophilus”, aponta o coletivo, que ressalta: “É importante cada mulher observar como seu corpo reage a cada tratamento natural e se ocorrem efeitos colaterais, como piora da ardência ou alteração da secreção. Experimente cada tratamento natural por vez.”

A ingestão de verduras como couve, agrião, rúcula, brócolis e suco de limão também auxiliam no combate da candidíase.

Quintana e Podgaec afirmam não existir nenhuma comprovação científica da eficiência desses métodos alternativos no tratamento da candidíase. “Eles até podem ser úteis para aliviar os sintomas, mas não são capazes de promover a cura. Por isso, ao suspeitar da infecção, o importante é procurar um médico”, destaca o ginecologista do Einstein.