Câncer de mama: médicos explicam a importância da campanha Outubro Rosa

A importância da campanha Outubro Rosa (Foto: Getty Images)

Outubro é conhecido mundialmente como o “mês rosa” devido ao movimento internacional voltado para a conscientização do público sobre o câncer de mama, o tumor mais frequente entre as mulheres e o responsável pelo maior número de mortes por câncer entre pessoas do sexo feminino.

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“Ainda que tipicamente voltado para um público feminino, o câncer de mama pode acometer também homens na razão de um caso masculino para cada 100 mulheres com a doença”, explica Artur Malzyner, oncologista no Hospital Israelita Albert Einstein e Clinonco.

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Outubro Rosa começou nos anos 90, nos EUA

Outubro rosa surgiu na década 90 nos Estados Unidos e rapidamente se espalhou em muitos outros países. Seu conceito é o de compartilhar informações sobre o diagnóstico precoce e tratamento do câncer de mama de tal maneira a conseguir aumento na demanda por exames que permitam diagnóstico precoce como a mamografia, por exemplo, assim como novos conceitos sobre prevenção primária e avanços terapêuticos. “Todos estes elementos buscam em última análise tornar possível a redução da mortalidade por esta temível doença”, explica a cientista especializada na área da saúde Natalia Fernandes Garcia de Carvalho.

Garcia de Carvalho cita a importância da dieta saudável, da abstinência ao álcool, a prática de exercícios físicos na prevenção de câncer em geral, isto se aplica de maneira superlativa na profilaxia do câncer de mama. “Este câncer ataca mais frequentemente as mulheres entre 50 e 70 anos de idade. Ainda que muito mais raramente, o câncer de mama pode infelizmente atingir também mulheres muito mais jovens, entre 20 e 30 anos, bem como aquelas mais idosas que estão acima dos 80 anos”, complementa o médico Artur Malzyne.

Mamografia deve ser realizada todos os anos

Os centros avançados que realizam triagem populacional para o diagnóstico precoce do câncer de mama recomendam mamografia anual ou a cada dois anos para a imensa maioria das mulheres entre 50 e 70 anos.

A mamografia deve ser realizada anualmente (Getty Images)

Já para um grupo menor de mulheres, com histórico que as coloca em grupo de risco mais elevado para desenvolver câncer de mama, caso daquelas que têm familiares de primeiro grau com o diagnóstico de câncer de mama ou câncer de ovário, a recomendação mais frequente é a de iniciar os exames mais cedo, em geral entre 40 e 45 anos e fazê-los anualmente até os 70 ou 75 anos de idade.

Apesar de todas as recomendações coletivas citadas, muitas razões individuais podem existir que devam aconselhar em caráter pessoal, exames acima ou abaixo dos limites de idade mencionados, e também a possibilidade de frequências distintas maiores ou menos do que está padronizado.

Novos tratamentos e importância do diagnóstico precoce

“O câncer de mama se inicia o tecido epitelial que reveste os ductos da glândula mamária e pode crescer vindo a penetrar nos vasos linfáticos que terminam nos gânglios da axila ou nos vasos sanguíneos, podendo a vir a disseminar a outros órgãos. Enquanto só na glândula mamária o tratamento cirúrgico da mama seguido de radioterapia e muitas vezes por medicamentos é a situação clínica que mais enseja a cura definitiva”, explica Malzyner.

Quanto antes for a descoberta, mais chances do tratamento ser efetivo (Getty Images)

“Uma vez comprometido os gânglios da axila, a quimioterapia pode desempenhar papel relevante quando somada aos tratamentos citados.

Os tumores de mama que se espalharam para outros órgãos, têm um prognóstico mais reservado, porém novos tratamentos desenvolvidos para os diversos tipos biológicos e moleculares (anticorpos e outros inibidores anti-HER2, inibidores de aromatase, inibidores do mTOR, inibidores das ciclinas CDK4 e CDK6) de câncer de mama permitiram melhorar drasticamente a probabilidade de sucesso no tratamento”, afirma Malzyner.

Pelos conhecimentos adquiridos na prevenção primária, no diagnóstico precoce e no desenvolvimento de terapêuticas mais eficientes, tem sido para o oncologista uma tarefa a cada ano mais densa de informações a serem transmitidas ao público, porém com uma alegria crescente de quem sabe que hoje é possível antecipar a meta de cura definitiva deste mal como uma realidade provável”, conclui a cientista Natalia Fernandes Garcia de Carvalho.