Campanha de Bolsonaro minimiza apoio de Anitta a Lula

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*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 19.05.2019 - Show da cantora Anitta no palco Plural, no Vale do Anhangabaú, durante a Virada Cultural em São Paulo. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress) ORG
*ARQUIVO* SÃO PAULO, SP, 19.05.2019 - Show da cantora Anitta no palco Plural, no Vale do Anhangabaú, durante a Virada Cultural em São Paulo. (Foto: Jardiel Carvalho/Folhapress) ORG

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A campanha do presidente Jair Bolsonaro (PL) tenta minimizar o apoio de Anitta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na avaliação de integrantes da equipe, a cantora e empresária fala apenas para a sua bolha e não agrega votos ao petista.

Anitta declarou, no último dia 11, que irá apoiar o ex-chefe do Executivo, ainda que diga não ser petista.

Esta é a primeira vez que ela indica apoio a um candidato, apesar de ser declaradamente crítica ao atual governo e de já ter protagonizado discussões nas redes sociais com o presidente, a quem chama de "Voldemort", em referência ao vilão do filme "Harry Potter". Bolsonaro, inclusive, foi bloqueado por ela no Twitter.

O PT ficou otimista com o apoio da artista, que foi a primeira brasileira a chegar ao primeiro lugar mundial no aplicativo Spotify e tem mais de 17 milhões de seguidores no Twitter. Bolsonaro possui 8,4 milhões e Lula, 3,8 milhões.

Para aliados do mandatário, ainda que tenha um público muito grande, Anitta influencia uma parcela do eleitorado jovem que já estava decidida ou tinha intenção de votar no petista.

Uma das estratégias para dirimir a influência e criticar a cantora será explorar uma declaração recente dela em que diz ser favorável à legalização da maconha.

Ela alegou que a proibição colabora com o que chamou de guerra na favela que só mata o pobre e enriquece traficantes, que não pagam imposto e lavam dinheiro. "Eu sou a favor de virar tudo empresa legalizada", completou, em uma live com o rapper Filipe Rett.

Depois, ela questionou se o candidato petista apoiaria a pauta e pediu ajuda a Lula para legalizar a maconha.

O tema costuma ser tabu em campanhas eleitorais. Aliados do presidente apostam nessa frase para diferenciá-la do grupo de mulheres e jovens que buscam atrair.

A apoiadores na última quarta-feira (20), Bolsonaro ironizou o posicionamento de Anitta, sem mencioná-la diretamente.

"Vi outro dia aí uma, não sei se é cantora, pessoa conhecidíssima falando: 'Tô dando o maior apoião, libera aí a maconha, cara'. Cobrando, obviamente, o apoio que ela está dando para o cara [Lula], porque ela apoia o cara politicamente e o cara, por sua vez, tem a contrapartida para liberar as drogas", disse a simpatizantes no cercadinho do Palácio da Alvorada.

E prosseguiu: "Nós sabemos que esse pessoal de esquerda, quase todos, são favoráveis à legalização das drogas". Apesar de o presidente se referir de forma genérica à legalização das drogas, Anitta falou especificamente sobre maconha.

O presidente registra maior rejeição entre jovens (60%) e mulheres (61%), justamente os públicos mais próximos à artista.

Apesar de o entorno de Bolsonaro minimizar o impacto da cantora na disputa, o seu apoio fez disparar a popularidade de Lula nas redes sociais há dez dias, aponta o Índice de Popularidade Digital (IPD), calculado diariamente pela empresa de consultoria e pesquisa Quaest.

Bolsonaro, por sua vez, teve queda no mesmo índice após repetir ameaças golpistas a embaixadores estrangeiros. Integrantes da campanha constataram que os ataques do presidente ao sistema eleitoral, além de não renderem votos, prejudicam sua imagem.

A menos de três meses das eleições, Bolsonaro está 19 pontos atrás do ex-presidente, com 28% contra 47%, segundo o Datafolha.

A estratégia de aliados do chefe do Executivo será a de buscar uma fatia possível de jovens e mulheres --aqueles mais alinhados a pautas conservadoras. Por isso, esse conceito será amplamente explorado na campanha.

Bolsonaro coleciona declarações polêmicas sobre mulheres e já chegou a afirmar que sua única filha foi fruto de uma "fraquejada".

O chefe do Executivo foi orientado a ressaltar o que seu governo tem feito por mulheres, como a priorização delas na hora de distribuir títulos de terra --o governo só entrega o documento a homens solteiros ou viúvos.

A ideia da campanha é ir atrás do apoio de mães e avós e que elas consigam influenciar suas famílias e virar votos.

Do ponto de vista dos jovens, Bolsonaro também passou a adotar uma estratégia mais clara para atraí-los. Nos últimos dias, reviveu uma declaração do petista de novembro do ano passado em que ele defendeu regulamentar as redes sociais.

Na última quinta-feira (21), a apoiadores no cercadinho do Palácio da Alvorada, o presidente disse: "O jovem aqui no Brasil que é de esquerda não larga o celular, mas não consegue entender que, se o outro lado chegar [no poder], ele [Lula] diz que admira o regime cubano e diz, claramente, que vai censurar as mídias sociais. [O jovem] Vai perder o celular dele".

Bolsonaro incorporou essa narrativa em seu discurso, recentemente, sob orientação da campanha para poder explorar essa declaração e se aproximar do público jovem, com o qual ele tem dificuldade.

Neste domingo (24), o PL realizará convenção no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, em que apresentará o presidente como candidato à reeleição. O evento, como mostrou o jornal Folha de S.Paulo, terá espaços exclusivos para gravação de TikTok, rede social amplamente utilizada pelos mais jovens.

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