Caipira e violeiro, Guito se compara a seu personagem Tibério, de 'Pantanal'

BARRETOS, SP (FOLHAPRESS) - Era de noite de sábado, e o ator Diogo Brito, o Guito, vestia um habitual chapéu de peão, botas de montaria e carregava uma viola nos braços. Mas dessa vez ele não estava em uma roda de viola da novela "Pantanal", estava na arena da Festa de Peão de Barretos diante de uma multidão.

O ator, que interpreta Tibério na trama das 21h da Globo, fez sua estreia como cantor na arena principal do evento que acontece no interior paulista. Ele cantou "Ave Maria", tocando viola e gaita, depois da final da Liga Nacional de Rodeio (LNR), que aconteceu na noite deste sábado (27).

Nascido na cidade de Lavras, em Minas, Guito afirma ser "muito o Tibério". "O peão representa a idolatria máxima de quem é do campo, de quem tem algum laço com o setor rural. Então para mim é uma realização, ainda mais tocar no meio da arena, para os peões. Foi emocionante."

Atualmente, Guito vive um peão na novela "Pantanal", onde faz sua estreia como ator. Dando vida ao mesmo personagem que Sérgio Reis representou na primeira versão da trama, o artista solta a voz e toca viola mostrando ao telespectador sua principal paixão: a música.

Formado em agronomia, ele conta que começou a cantar por influência do meio em que vivia, mas também das novelas "Pantanal" e "A História de Ana Raia e Zé Trovão", que foram ao ar na década de 1990 na extinta TV Manchete. "Muito do que sou hoje é o que eu assisti, eu tinha seis anos", diz.

"Meu vô era muito a figura do Velho do Rio, então a gente se reunia lá na roça para assistir [à novela]. Sempre passava o Velho do Rio, e meu pai e meus tios se emocionavam, talvez por isso criei esse elo. Depois veio o Almir [Sater] com a violinha dele em 'Ana Raia e Zé Trovão', aí pronto: eu ia violeiro mesmo."

Apesar de nunca ter sonhado com a carreira de ator, Guito afirma que sua presença em "Pantanal" é inusitada e que não esperava que fizesse um "quase protagonista" logo em seu primeiro trabalho. "Tibério não é o protagonista, mas é um personagem de suma importância na trama", diz. Assim, ele até cogita embarcar mesmo na carreira.

"Uai, a turma é quem manda, mas parece que eles estão gostando, né?! [Fazer novela] é uma linda forma de contar história, e eu só conhecia, até então, uma forma de contar sobre minha vida, e era através da música. Mas agora estou gostando, achando bom, já que está todo mundo aplaudindo."

Apesar disso, Guito, que é casado e pai de dois filhos, afirma que nunca desejou a fama, o que sempre quis foi viver da música e viajar o país cantando e tocando. Agora que o sucesso chegou, no entanto, ele tem gostado do reconhecimento do público, apesar de ter mudado pouco de sua rotina.

"É muito gratificante poder receber o carinho das pessoas na rua, ver a paixão nos olhos, deixar orgulhosos aqueles que eu represento, que são pessoas rurais, o homem do campo, a cultura caipira, a turma do interior. Saber que a gente está deixando eles orgulhosos é o mais gratificante. Quem não sonha com isso está doido."