Cadeira vazia no festival de Veneza marca ausência de diretor iraniano preso

A presidente do júri do Festival de Cinema de Veneza, Julianne Moore, participa de protesto pela libertação do cineasta iraniano Jafar Panahi no tapete vermelho do evento. REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Por Crispian Balmer

VENEZA (Reuters) - Uma cadeira vazia substituiu o diretor iraniano Jafar Panahi em Veneza nesta sexta-feira, na noite em que o festival sediou a estreia mundial de seu último filme "No Bears", enquanto o aclamado cineasta vive na prisão em seu país.

Panahi foi preso em Teerã em julho e está cumprindo uma pena de seis anos depois de ser considerado culpado de promover "propaganda contra a República Islâmica".

Ele foi um dos três cineastas detidos em Teerã em menos de uma semana, em meio a uma nova repressão à dissidência no Irã.

Panahi, que fez uma série de filmes premiados, incluindo "Círculo", "Balão Branco" e "Táxi Teerã", enviou uma carta de sua cela, que foi lida pelo diretor do festival Alberto Barbara esta semana em um painel sobre cineastas em perigo.

"O trabalho que criamos não é encomendado, (portanto) alguns de nossos governos nos veem como criminosos", disse a carta, que foi co-assinada por outro diretor iraniano preso, Mohamad Rasoulof.

"Alguns (diretores) foram proibidos de fazer filmes, outros foram forçados ao exílio ou reduzidos ao isolamento. E, no entanto, a esperança de criar novamente é uma razão de existência", escreveram.

Diretores, atores e figuras da indústria se reuniram no tapete vermelho antes da estreia de sexta-feira para mostrar sua solidariedade com cineastas presos em todo o mundo, segurando fotos de alguns dos detidos, incluindo Panahi e Rasoulof.

(Reportagem de Crispian Balmer)

((Tradução Redação São Paulo))

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