Cacau Protásio acusa Bombeiros de racismo: "Não entendo esse ódio"

Cacau Protásio e Bombeiros do Rio de Janeiro durante filmagem (reprodução / instagram @cacauprotasio)

Cacau Protásio diz ter sido vítima de racismo por parte dos Bombeiros Militares do Rio de Janeiro. Áudios de militares ridicularizando a atriz vazaram nesta quarta-feira (27).

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"Olha a vergonha no pátio do Quartel Central. Essa mulher do 'Vai que Cola', aquela gorda, colocou a farda e botou os dançarinos viados com roupa de bombeiro. Isso é um esculacho, rapaz. Qual é a desse Comandante maçom? Vai deixar uma putaria dessas no pátio do Quartel?", diz um dos áudios.

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Em outro registro um outro homem responde: “Então, Monteiro, boa tarde. Mas também tendo um governador tal qual nós temos. Um comédia, um c*zão, que se ajoelha para Gabigol em campo de futebol. Como pode isso, o governador se ajoelhar para jogador? De comédia para viadagem é um pulo. Está essa viadagem aí, parceiro. Vergonhoso. Mete aquela gorda, preta, filha da puta numa farda de bombeiro, uma bucha de canhão daquela, com um monte de bailarino viado, quebrando até o chão. Vão achar que é o que? Bombeiro? Aquilo é tudo viado. Lamentável. Um abraço. Fica com Deus e um beijo no coração.”

Em um terceiro áudio vazado, uma mulher pede para que os áudios anteriores parem de ser compartilhados. “A Coronel Cátia passou aqui pra gente que o comandante-geral não quer que fique reenviando essa gravação que foi feita no quartel central. Então, vamos parar de ficar enviando para os grupos.", diz em referência ao comandante-geral da corporação, Roberto Robadey.

Cacau Protásio foi às redes sociais se pronunciar. “Sei que sou uma pessoa forte, mas ouvir tudo isso de um ser humano é muito triste. E como alguém que veste uma farda tão linda tem essa postura? Como posso dizer que eles salvam vidas, que fazem o amor, com essa postura? E falando tanta coisa horrorosa, tanta coisa, ofendendo. Respeito e acho que eles têm o direito de gostar ou não [de mim usando farda], mas porque não vão perguntar primeiro o que é. O mau da gente é não perguntar primeiro como é e julgar. Primeiro jogam pedra, xingam para depois pensar. Racismo é crime e isso não se faz”, afirma.

A atriz continua ao reafirmar sua raça. “ Sou negra, sou gorda, sou brasileira e sou atriz. Conto histórias, conto ficção. Não mereço ser agredida assim, como ninguém. Aceito a opinião de alguns Bombeiros em não achar certo, mas vai ver a história e o que é antes de agredir.  Printei tudo na minha página. Tem uma menina no Facebook superfalando mal. Postou a minha foto de farda e os coleguinhas dela falando mal, eu printei. Não entendo esse ódio. A cena é de uma alucinação, que um personagem. Quando ele volta estou ali trabalhando. Bombeiro é uma corporação que respeito. Que queria ser quando criança. Já contei isso nas minhas primeiras entrevistas”, relembra.

Ao colunista Léo Dias, a assessoria de imprensa do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro informou: “Não compactuamos com qualquer ato discriminatório. A corporação se solidariza com a atriz Cacau Protásio e já abriu procedimento interno para identificar o(s) militar(es) e apurar a conduta. O CBMERJ reforça o seu compromisso com a população de 'Vida Alheia e Riquezas Salvar' independente de cor, gênero, raça ou qualquer outra distinção. Os atos divulgados não representam a corporação centenária que, por anos seguidos, é considerada a instituição mais confiável do Brasil”.

Yahoo! questionou sobre os procedimentos a serem seguidos após a identificação dos envolvidos e se também serão verificadas as redes sociais citadas pela atriz, não só os áudios vazados, mas não obtivemos retorno até a publicação dessa reportagem.