Bruno Gagliasso lança 'Santo' e diz que ator não pode fugir de política

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.02.2019 - O ator Bruno Gagliasso durante abertura da exposição
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 03.02.2019 - O ator Bruno Gagliasso durante abertura da exposição

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Foi com estardalhaço que os fãs receberam a notícia de que Bruno Gagliasso havia deixado o contrato fixo com a Globo, há dois anos. Pouco depois, veio o anúncio de que ele estava de mudança para a Espanha, onde gravaria uma nova série para a Netflix.

Tratada com ares de superprodução e como um redirecionamento radical de carreira, "Santo" finalmente chega à plataforma nesta semana, com Gagliasso no papel de um policial brasileiro que investiga o criminoso que dá nome à obra.

Chefão de uma organização influente, Santo passou por Salvador em uma de suas empreitadas violentas, deixou criancinhas mortas e, depois, fugiu para Madri, o que leva o personagem Cardona a também embarcar rumo à Espanha.

Policial federal, ele tenta se infiltrar na organização e, na sequência, é recrutado pelas autoridades espanholas para ajudar na difícil investigação –eles não têm nem um rosto para o sujeito, e as únicas pistas são o codinome e seus métodos inconfundivelmente sádicos.

Não é um thriller policial óbvio, diz Gagliasso em entrevista por vídeo, ao explicar que foi atraído pela série não pela possibilidade de protagonizar uma trama espanhola –mas justamente porque os protagonistas aqui, acredita, são os conflitos internos que todos enfrentam.

"Todos são confrontados com o inferno", completa a atriz portuguesa Victoria Guerra, ao seu lado. O elenco é internacional, indo bem além dos espanhóis que dominam as cenas porque, claro, é em seu país que a maior parte da ação se passa.

"O streaming veio para globalizar. Hoje você faz uma história global sem falar inglês. Eu faço um brasileiro que fala português em ‘Santo’", diz Gagliasso sobre a antiga licença poética de pôr todo um elenco falando uma só língua, não importando o cenário.

É também uma oportunidade de ampliar os horizontes culturais do público. Ele cita como exemplo a forte presença do candomblé em "Santo", com menções a orixás já no primeiro episódio. Guerra conta que não conhecia a religião de matriz africana e que ficou fascinada quando entrou em contato com seus ritos, graças à série.

"Eu sou pai de duas crianças africanas, eu sou do candomblé, então é um orgulho levar isso para o mundo, com respeito, carinho e amor. A gente teve uma consultoria danada para isso", diz Gagliasso.

O tema leva a conversa ao recente episódio de racismo do qual seus filhos, que são negros, foram vítimas em Portugal, para onde a família com Giovanna Ewbank se mudou para ficar próxima do set de filmagem de "Santo". O ator diz que a cultura é essencial para mudar o preconceito enraizado na sociedade e que, hoje, busca trabalhos que alinhem seu "lado profissional" e o "lado ser humano".

"[Combater o racismo] é a minha luta de vida, a luta dos meus filhos. É importante, enquanto artista, debater todos os temas, é a nossa função, porque somos políticos. Temos que usar a nossa arte para debater, e não fugir. Eu hoje escolho a dedo os personagens que eu quero que meus filhos me vejam fazendo no futuro."

Essa não é a primeira série internacional de Gagliasso. Há cerca de seis meses, o ator esteve em "Operação Maré Negra", do concorrente Amazon Prime Video, na qual inverteu os papéis de "Santo" –lá, ele era o traficante, caçado também pela polícia espanhola.

Questionado se o papel de violência e a ideia do tráfico de drogas constantemente associados ao Brasil em tramas estrangeiras não o incomoda, ele diz que não. Conta que primeiro fazer um criminoso e, depois, um policial balanceou as coisas e que "enquanto for o vilão de um herói negro, vai sempre estar disponível", em relação aos mocinhos de "Operação Maré Negra".

"Santo" é marcado por cenas de ação frenética, para as quais Gagliasso e Guerra precisaram entrar numa rotina intensa de exercícios –tudo sob o sol impiedoso de Madri, uma cidade com clima que, dizem, "queima o osso, não tem a umidade do Brasil".

Mas isso não os impede de já desejar um retorno a uma eventual segunda leva de episódios. Se precisar ficar mais uma temporada na Europa, Gagliasso diz que fica. Afinal, o momento atual, acredita, é de buscar cada vez mais desafios.

SANTO

Quando Estreia nesta sexta (16), na Netflix

Classificação 16 anos

Elenco Bruno Gagliasso, Victoria Guerra e Raúl Arévalo

Produção Espanha, 2022

Criação Carlos López