Bronzes de Benin são expostos em Berlim antes de devolução à Nigéria

Os bronzes de Benin, roubados durante o período colonial, serão expostos em Berlim a partir de sábado antes de serem devolvidos à Nigéria, prova da crescente conscientização da Alemanha sobre as injustiças do passado.

Trata-se de uma das mais renomadas obras da arte africana: dois tronos e uma cabeça comemorativa de um rei que adornava o palácio da cidade de Benin, antiga capital do Reino de Benin (sul da Nigéria), e fazem parte dos objetos expostos no Humboldt Forum, um complexo de museus no coração de Berlim.

Os bronzes de Benin foram espalhados por vários museus europeus depois de serem saqueados pelos britânicos no final do século XIX.

"O reconhecimento da injustiça colonial e as restituições, bem como inúmeras vias de cooperação, continuarão a definir nosso trabalho no futuro", prometeu Herman Parzinger, presidente da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, que administra os museus de Berlim, em um comunicado.

- "Olhar lúcido sobre o passado" -

Esta iniciativa faz parte de uma série de medidas recentemente adotadas pela Alemanha para tentar assumir os crimes do período colonial, como o reconhecimento oficial, em maio de 2021, de um genocídio perpetrado na Namíbia.

"Como a Holanda e a Bélgica fizeram, a Alemanha implementou políticas de museus com um olhar lúcido sobre o passado colonial", comentou à AFP Pascal Blanchard, historiador francês especializado no período colonial e na imigração na França.

É o caso do grande museu dedicado à África em Tervuren, perto de Bruxelas, que reivindica uma "visão crítica" desse passado e da história de objetos coletados sob o rei dos belgas Leopoldo II, que administrou o Congo como sua propriedade privada no final do século XIX.

Da mesma forma, o Tropenmuseum em Amsterdã se concentra na herança colonial do país.

Ao contrário da França e de sua comunidade de 'pieds noirs' (repatriados de origem europeia) da Argélia, a Alemanha, que perdeu seu império colonial após a derrota na Primeira Guerra Mundial, não possui uma comunidade significativa de retornados da África.

"Isso facilita a capacidade de ter uma visão sobre o passado", segundo Blanchard.

- Mais restituições -

Apesar de tudo, a Alemanha, como outros países ocidentais, tem sido criticada pela origem dos objetos preservados em seus museus, na esteira de movimentos contra o racismo.

E essas críticas foram exacerbadas pela abertura em dezembro de 2020 de uma primeira parte do complexo do Humboldt Forum, instalado no antigo palácio reconstruído dos soberanos da Prússia.

Neste local altamente simbólico, residência principal dos Hohenzollerns, iniciadores do colonialismo alemão, foi planejada a exposição de objetos coloniais.

Atualmente, o Museu Etnológico de Berlim possui 530 objetos históricos do antigo reino de Benin, incluindo 440 bronzes, a coleção mais importante depois da do Museu Britânico de Londres.

Segundo seu diretor, Lars-Christian Koch, parte será devolvida, um terço ficará emprestado por dez anos e o restante dos objetos, não expostos, serão estudados por especialistas.

As restituições alemãs seguem ações semelhantes de outros países europeus, como a França, que devolveu em novembro de 2021 ao Benin, país vizinho da Nigéria, 26 obras dos tesouros reais de Abomey.

Nesse contexto, crescem as pressões nesse sentido sobre o Museu Britânico, que possui cerca de 700 bronzes.

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