Britânicos se despedem de Elizabeth 2ª e demonstram receio com reinado de Charles III

Homenagens de súditos à rainha Elizabeth II (Foto: Marina Marini)
Homenagens de súditos à rainha Elizabeth II (Foto: Marina Marini)

*Colaboração para o Yahoo, em Londres (Inglaterra)

Após quatro dias de velório público, foi realizado nesta segunda-feira (19) o funeral da rainha Elizabeth 2ª. A cerimônia aconteceu na abadia de Westminster, no centro de Londres (Inglaterra), com a presença da família real britânica, políticos e líderes globais – como o presidente Jair Bolsonaro (PL).

O entorno do Palácio de Westminster – sede do parlamento britânico –, assim como grande parte do centro da capital, foi tomado por um clima de comoção e curiosidade. Entre turistas e residentes, pessoas de todas as idades acompanhavam a procissão que marcou o funeral da monarca.

Karen e a filha (Foto: Marina Marini)
Karen e a filha (Foto: Marina Marini)

Karen, 51, veio de Birmingham e trouxe sua filha para o primeiro evento real de ambas. Apesar de ressaltar "grandes erros" da monarca, ela contou que via a rainha como parte da família, como uma avó.

"Parece loucura, mas ela se parece com minha avó. Quando a vejo, penso na minha avó. É como se ela fosse a avó de toda a nação. Temos todos esses primeiros-ministros que vêm e vão, então pelo menos ela foi constante. Quer dizer, ela cometeu erros, grandes erros, mas acho que ela permaneceu constante. Mas ganhar um primeiro-ministro e um rei em uma semana é um pouco estranho", afirmou.

Também acompanhada da família – o marido e dois filhos –, Sara, 45, explicou porque decidiu comparecer com sua família completa.

"Eu só queria fazer parte disso, então trouxemos as crianças também. É apenas para criar uma memória e prestar nossa homenagem à rainha", disse.

(Foto: Marina Marini)
(Foto: Marina Marini)

Para passar o tempo até o início da procissão, as pessoas jogavam cartas, comiam e conversavam. Os mais preparados levaram cadeiras, bancos e até mesmo escadas para não perderem sequer um momento da passagem do caixão da rainha.

Entre elas, estava o casal Sue, 56, e Mark, 60. Para ele, não haveria outra maneira de prestar sua homenagem a Elizabeth. "Nenhum de nós jamais pensou em como seria sem a rainha, mas todos sabiam que, quando isso acontecesse, seria um evento muito grande, então é simplesmente apropriado, é a coisa certa a fazer", considerou.

Mark e Sue (Foto: Marina Marini)
Mark e Sue (Foto: Marina Marini)

Já John, 62, que assim como muitos outros preferiu não passar horas na fila para ver o caixão da rainha nos últimos quatro dias, viajou mais de 220 km para acompanhar o funeral em Londres.

"Eu não esperava por esse dia, mas sabia que isso aconteceria quando ela ficasse cada vez mais velha e frágil. Eu apenas senti que queria fazer parte disso. Acho que ela era uma senhora muito especial, tenho 62 anos e ela esteve lá por toda a minha vida. Quando criança, vinha muito aqui [Londres], já a vi várias vezes em seu carro ou carruagem. Então, senti que tinha que vir hoje para prestar essa homenagem", contou.

John viajou mais de 220km para acompanhar o funeral (Foto: Marina Marini)
John viajou mais de 220km para acompanhar o funeral (Foto: Marina Marini)

A monarquia e o novo rei

O novo rei Charles 3º foi empossado no último sábado (10). (Foto: REUTERS/John Sibley/Pool)
O novo rei Charles 3º foi empossado no último sábado (10). (Foto: REUTERS/John Sibley/Pool)

Apesar do total apoio à rainha, quando questionada sobre o futuro da monarquia após a morte de Elizabeth II, parte da população se mostrou apreensiva em relação ao reinado de Charles.

Mark ressaltou que seria importante Charles dar "passos inesperados" e reconhecer alguns erros do passado – como a história longa e controversa do diamante "Koh-i-noor", reivindicado agora pelos indianos.

"Espero que ele reconheça que não pode ser a mesma [história]. Acho que ele poderia dar alguns passos inesperados, como anunciar que vai desacelerar a monarquia. Também acho que o diamante 'Koh-i-Noor' deveria voltar para a Índia. Acho que se ele dissesse isso antes da coroação, essa seria a mensagem", refletiu.

Karen reforçou que a popularidade de Charles não é a mesma de Elizabeth II entre os britânicos: "É difícil dizer, não sei se ele é tão popular como a rainha. E ela foi bastante constante durante toda a sua vida, então ter essa mudança é uma coisa estranha para a Inglaterra. Não tenho certeza se ele vai se sair muito bem."

Sara, com os filhos ao lado, disse pensar na próxima geração.

"Acho que Charles será um grande rei, mas estamos preocupados com a próxima geração, para termos uma monarquia moderna", disse.

Já Sue garantiu que apoiará o novo rei: "Espero que Charles possa substituir bem a rainha e ser tão bom quanto ela."

Vias interditadas

Conforme divulgado pelo Transport for London, órgão do governo responsável pelo sistema de transporte da Grande Londres, o metrô da cidade e as linhas regulares de ônibus sofreram algumas alterações durante esta segunda-feira (19) – assim como inúmeras vias foram interditadas.

Green Park e Westminster, algumas das estações de metrô mais movimentadas do centro da cidade, funcionaram apenas para saída e baldeação durante a manhã. Já estações como St James's Park, Lancaster Gate e Hyde Park Corner ficaram fechadas. Para os ônibus, a área de Westminster foi a mais afetada.

"Caminhar é uma das melhores maneiras de se locomover por Londres", reforça um comunicado no site do órgão do governo.

Algumas vias, inclusive, continuarão fechadas nos dias após o funeral, à medida que a infraestrutura do evento for removida.

O adeus à rainha

As preparações para a cerimônia que aconteceu hoje começaram em 9 de setembro, um dia após a morte da monarca, que estava no Castelo de Balmoral, na Escócia. Inicialmente, o corpo da rainha foi transferido para Edimburgo, onde aconteceu um primeiro velório com a presença de membros da família real, na Catedral de Santo Egídio.

Na última terça-feira (13), o corpo de Elizabeth II foi levado a Londres para, então, ser conduzido em procissão do Palácio de Buckingham até o Palácio de Westminster, a sede do parlamento britânico.

Coberto pelo estandarte real e com a coroa, o cetro e o orbe imperiais do Estado, o corpo da monarca ficou exposto ao público durante quatro dias. Longas filas se formaram para que a população prestasse uma última homenagem à rainha - o caixão permaneceu fechado e não era permitido fotografar ou filmar o local.

A rainha Elizabeth II "morreu pacificamente" no último dia 8, aos 96 anos, conforme comunicado divulgado pelo Palácio de Buckingham. A monarca foi a mais longeva da história britânica, tendo um reinado de 70 anos.

Confira mais registros do funeral:

(Foto: Marina Marini)
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(Foto: Marina Marini)
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