Brincando com Fogo: esperar para transar torna relação mais sólida?

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A temporada estreou com tudo (Foto: Divulgação/Netflix)
A temporada estreou com tudo (Foto: Divulgação/Netflix)

"Brincando com Fogo Brasil" estreou na quarta-feira (21), na Netflix. No reality show, um grupo de homens e mulheres é confinado em um lugar paradisíaco, onde festas e bebidas estão liberadas, mas sexo, não. O objetivo? Que nasçam relacionamentos menos superficiais. Mas será que a ausência de intimidade física gera conexões mais profundas?

"A ideia de impedir o sexo como maneira de aprofundar o relacionamento não existe. Alguns estudos sugerem justamente o contrário", afirma Iracema Teixeira, mestre em sexualidade humana, doutora em psicologia e membro da Sociedade Brasileira de Sexualidade Humana.

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Segundo Iracema, a Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, fez uma pesquisa com cerca de 1.000 casais heterossexuais e constatou que a interação sexual pode servir como um estímulo para um relacionamento amoroso mais sólido. "O sexo pode ser um fator que facilita o entrosamento pessoal", completa a psicóloga.

De olho no dinheiro

Para a psicanalista e psicoterapeuta de casais Blenda de Oliveira, o sexo pode despertar outros interesses. "Se a relação sexual for boa, o interesse pela pessoa até aumenta", diz a especialista.

Segundo Blenda, o que move os participantes do reality show é o prêmio em dinheiro (R$ 500 mil). "Quem decidir não fazer sexo (nem beijar na boca ou qualquer tipo de carícia mais íntima pelas regras do programa) vai fazer isso não pela vontade de se conectar com o outro/outra. Trata-se de um ambiente artificial e controlado, que por si só não convida a relacionamentos mais profundos", diz a especialista.

Patriarcado na TV

Iracema afirma que o reality só reforça o viés cultural de que o sexo tem de acontecer nas relações com finalidade reprodutiva – ainda que não explicitamente, o famoso "juntos para casar". "Ainda estamos imersos em valores e crenças socioculturais muito ancoradas na visão do patriarcado. Persiste o tabu de considerar a relação sexual apenas com a função de diversão."

De acordo com a psicóloga, não dá para estabelecer uma relação de causalidade entre não transar e vínculo emocional. "São experiências distintas e que se originam em áreas diferentes do cérebro, ainda que façam parte do sistema límbico", diz ela.

Se transar ou não, não determina se o relacionamento seguirá e se aprofundará, sexo ruim é quase sempre o ponto final. "O ser humano só quer repetir experiências gratificantes", finaliza Iracema.

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