'Brazilian Storm' é feita de abraços e rivalidade ferrenha

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS ) - "Nós estamos em um esporte em que pensam: ah, somos hippies", diz a surfista australiana Tyler Wright no primeiro episódio da série "Make or Break: na Crista da Onda". "Não somos. Nós somos uns filhos da puta competitivos."

Isso se aplica também aos membros da chamada "Brazilian Storm", a tempestade brasileira que tomou conta da Liga Mundial de Surfe (WSL). Há camaradagem entre os atletas do país que vem dominando o circuito masculino, mas há também um senso de competição que nem sempre fica transparente nos abraços trocados nas praias pelo planeta.

Produzida por James Gay-Rees (vencedor do Oscar e do Bafta), Paul Martin, Erik Logan e Ryan Holcomb, a obra documental da Apple TV+ procura exibir essa rixa com mais clareza. Em vários momentos dos sete episódios da série -que estreou na semana passada e resume a temporada 2021-, aparece, entre risos e palavras de incentivo, a ferocidade na luta pelo título.

"Se eu não conseguir bater o Gabriel e o Italo, isso pode me destruir", admite o geralmente boa-praça Filipe Toledo. "Todos adoramos competir. Então, ainda que sejamos amigos próximos, precisamos ter essa rivalidade um com o outro. É um esporte egoísta."

"Tenho um grande relacionamento com ele. É um grande garoto", afirma Gabriel Medina. Esse grande relacionamento não o faz nem sequer olhar a apresentação que rende a Toledo o título da etapa de Lemoore, nos Estados Unidos, em piscina de ondas artificiais. Vice, Medina não faz questão de participar da festa do vencedor.

Com o explosivo Italo Ferreira, a disputa fica mais evidente. Campeão do Mundial de 2019 com um triunfo decisivo sobre Gabriel, o potiguar é questionado se o adversário sentiu a hora da decisão. "Não sei. Só sei que era minha vez."

"Ele é um cara legal", diz Italo, em entrevista para um podcast diante de entusiasmada plateia. "Ele é um competidor, sabe? Às vezes, ele é diferente...", afirma, antes de fazer uma pausa jocosa e cair no riso junto com os espectadores.

Um dos episódios de "Make or Break" dá especial atenção a essa rivalidade, retratando os campeões como donos de personalidades antagônicas. Medina, introvertido, está sempre aos beijos com a esposa Yasmin Brunet -de quem se separou em 2022. Ferreira, expansivo, é pintado como mulherengo.

"Não pode falar de mulher porque o microfone está ligado", alerta um amigo. "Posso, que eu não devo nada a ninguém", diverte-se Italo, que em outro momento aparece curtindo foto atrás de foto no Instagram. "É só mulher passando na minha timeline", gargalha.

Produzida em parceria com a WSL, a série fica restrita à Liga Mundial e ignora parte importante da rixa, a briga pelo ouro nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Medina foi derrotado nas semifinais, em bateria na qual questionou bastante o triunfo de Kanoa Igarashi. Na final, o japonês perdeu para Ferreira, primeiro campeão olímpico da história do surfe.

Já na liga, a disputa foi quase exclusivamente brasileira. Na etapa decisiva, em San Clemente, nos Estados Unidos, o terceiro do ranking, Filipe Toledo, bateu o segundo, Italo Ferreira. Assim, ganhou o direito de decidir o título com o líder, Gabriel Medina, que teve apresentação excelente e se tornou tricampeão mundial.

O episódio derradeiro, "The Finals", retrata a alegria do paulista de Maresias (e a tristeza da gaúcha Tatiana Weston-Webb, vice-campeã) ao fim de um ano de dificuldades, com brigas familiares. A batalha para lidar com questões mentais aparece também em um episódio dedicado a Toledo, que fala abertamente sobre a depressão superada com a ajuda de sua família.

É perto dos pais, dos filhos e da mulher que Filipe se classifica à final, nas ondas de Lower Trestles. Derrotado por um inspirado Medina, sorri e diz que fez o que pôde, sem o amargor de derrotas anteriores nas quais falhou. O amigo e rival nele cola seu rosto e diz: "Sua hora vai chegar, e eu vou estar lá para te abraçar".

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