Brasileiros em Wuhan, epicentro do coronavírus na China, cobram ajuda de Bolsonaro

Nathan Denette/The Canadian Press via AP

RESUMO DA NOTÍCIA

  • Trinta e dois brasileiros enviaram carta aberta a Bolsonaro pedindo ajuda do governo para deixar o território chinês em segurança.

  • O texto é assinado por homens, mulheres e crianças e lembra que outros países já tomaram providências para proteger seus cidadãos.

Um grupo de 32 brasileiros que moram em Wuhan, epicentro do coronavírus na China, enviou uma carta aberta ao presidente Jair Bolsonaro pedindo ajuda do governo para deixar o território chinês em segurança. O texto é assinado por homens, mulheres e crianças.

A informação foi publicada pelo blog do jornalista Guilherme Amado, da revista Época. Segundo o blog, no documento, os brasileiros ressaltam que é um dever do Estado prestar ajuda a cidadãos em situação de perigo e advertem que o mesmo já foi feito por diversos países do mundo.

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"De modo a proteger seus cidadãos desse risco, diversos países já estão se organizando para retirá-los da cidade de Wuhan em cooperação com o governo local. Esperamos que, como presidente da República Federativa do Brasil e na qualidade de representante máximo da diplomacia brasileira, vossas Excelências nos deem todo o apoio de que precisamos neste momento de dificuldade", afirmaram os brasileiros na carta.

Leia, abaixo, a íntegra do documento.

"Ao Excelentíssimo Senhor Presidente da República Federativa do Brasil, Jair Messias Bolsonaro e ao Excelentíssimo Ministro das Relações Exteriores, Ernesto Henrique Fraga Araújo.

Nós, cidadãos brasileiros na cidade de Wuhan, escrevemos-lhes esta carta para solicitar o auxílio do governo brasileiro no retorno ao nosso país. Nós somos homens, mulheres e crianças de vários estados e regiões do Brasil, estudantes e trabalhadores, indivíduos e famílias de brasileiros na China.

Como é do conhecimento de todos, existe uma ameaça de epidemia de coronavírus cujo epicentro é a cidade chinesa de Wuhan, na província de Hubei. De modo a proteger seus cidadãos desse risco, diversos países já estão se organizando para retirá-los da cidade de Wuhan em cooperação com o governo local. Esperamos que, como Presidente da República Federativa do Brasil e na qualidade de representante máximo da diplomacia brasileira, vossas Excelências nos deem todo o apoio de que precisamos neste momento de dificuldade.

Conforme veiculado pela imprensa, cidadãos dos Estados Unidos, da Itália, da França, do Reino Unido e do Japão foram retirados de Wuhan por via aérea e já chegaram a seus países de origem. Isso demonstra que o governo chinês está aberto a ações desse tipo e que não há, portanto, nenhum impedimento oficial, em nível local ou nacional, à repatriação de cidadãos brasileiros. Além disso, recebemos comunicados oficiais de universidades locais que afirmam explicitamente a possibilidade de evacuação de alunos estrangeiros e indicam o procedimento necessário para tanto.

Nesse mesmo sentido, vale ressaltar que a Embaixada da China no Brasil igualmente divulgou sua nota oficial em português acerca das “Medidas adotadas pela China no combate à pneumonia causada pelo novo coronavírus”, na qual explicita que “em resposta aos pedidos de retirada de cidadãos, apresentados por alguns países, a parte chinesa tomará providências para oferecer assistência e facilidades necessárias (...)”, mais uma vez ratificando a cooperação para a retirada de estrangeiros de seu território.

Apoiados nesses fatos, assim como nas obrigações assumidas pela República Federativa do Brasil em tratados internacionais, pleiteamos a repatriação dos cidadãos brasileiros presentes em Wuhan, salientando que, apesar de o Estado chinês estar envidando esforços para dar suporte a toda a comunidade indistintamente, e adotando todas as medidas para erradicar a epidemia, como a construção de novos hospitais, envio de médicos, investimento em pesquisa e suporte universitário, a situação de sermos expatriados por razões diversas por si justifica que possamos demandar o suporte institucional brasileiro para regressar a nosso país.

Reiteramos que não é de forma leviana que fazemos esse pedido. No momento em que essa carta está sendo escrita não há entre nós, que a subscrevemos, quaisquer casos de contaminação comprovada ou mesmo sintomas de infecção por coronavírus. Além disso, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária-ANVISA já informou, em sua página oficial, a criação de um núcleo específico para as questões atinentes ao coronavírus. Dado o histórico brasileiro de intervenções bem-sucedidas na contenção de epidemias, acreditamos não ser razoável exigir que os brasileiros atualmente em Wuhan ou em quaisquer outras partes da China sob quarentena o façam em lugares onde estarão mais vulneráveis aos riscos de contágio. Afirmamos também, por meio desta, estarmos plenamente dispostos a passar pelo período de quarentena e observação após a nossa chegada ao Brasil e a cooperar com o governo brasileiro a fim de prevenir o avanço da doença.

Diante do exposto, solicitamos:

1. Que sejam tomadas as medidas necessárias imediatas para que haja a repatriação voluntária de todos os brasileiros atualmente em Wuhan que manifestem sua intenção nesse sentido, incluindo a possibilidade evidente de que o país utilize-se de sua estrutura aeronáutica para a missão específica, como já ocorrido em relação ao Haiti, em 2010 e 2017.

2. Que lhes seja permitido realizar a quarentena atinente ao coronavírus no Brasil ou em parceria com países onde cidadãos brasileiros tenham dispensa de visto e que não sejam foco da atual epidemia, como os membros da União Européia ou países latino-americanos, observadas e garantidas todas as condições de segurança e preservação de seus direitos fundamentais.

Cientes de nossos direitos e deveres como cidadão brasileiros, aguardamos uma resposta rápida e eficiente nesse momento de urgência".