Mesmo com crise, brasileiros gastam mais com alimentação fora de casa, aponta pesquisa

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RESUMO DA NOTÍCIA

  • Em média, R$ 215,96 são gastos com comida fora do domicílio.

  • Gasto corresponde a um terço das despesas totais das famílias com alimentação.

Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) divulgada nessa sexta-feira (4) pelo IBGE revelam que, a despeito da crise econômica que afetou os brasileiros nos últimos anos, o hábito de se alimentar fora de casa não foi impactado.

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A informação é da Revista Época, segundo a qual as famílias estão gastando mais com alimentação em bares e restaurantes. A despesa com comer fora equivalia a um terço do total gasto com alimentação em 2018; 15 anos antes, isso correspondia a apenas um quarto.

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Todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento nesse tipo de gasto, com exceção do Sudeste, na comparação com a edição de 2009 da pesquisa. Naquele ano, 37,2% dos gastos das famílias dessa região eram com almoços, lanches e jantares. Em 2018, essa taxa caiu para 34,2%.

O Nordeste teve o movimento de maior expansão, com crescimento dos gastos mensais fora de casa. Em 2009, por exemplo, 23,5% dos recursos eram utilizados pelas famílias em alimentação fora de casa (R$ 189,72), percentual que passou para 32,3%, em 2018, com aumento dos gastos em almoço e jantar, lanches, cervejas e outras bebidas alcoólicas.

Analistas do IBGE avaliam que a expansão no Nordeste pode estar ligada a uma maior formalização do emprego na região, o que pode ter promovido um aumento dos gastos com alimentação fora de casa. A queda no Sudeste, por exemplo, pode ter relação com um aumento do número de pedidos por delivery, o que, na metodologia do instituto, é considerado como comida dentro de casa.

"Associamos muito o resultado do Nordeste à formalização no mercado de trabalho. Isso provoca duas coisas, o aumento gastos de alimentação fora de casa e redução da compra de alimentos no domicílio", explicou o gerente da pesquisa do IBGE André Martins.

Mesmo distante dos centros urbanos, moradores da zona rural estão gastando cada vez mais com alimentação fora de casa, aponta a pesquisa. Em 2008, na última edição da POF, 17,5% das despesas familiares eram com almoços e jantares fora de casa. Em 2018, já correspondiam a 24% dos gastos com alimentação.

O gerente de pesquisa analisa esse movimento a partir do desenvolvimento das áreas rurais nos últimos anos, com novos estabelecimentos alimentícios se instalando nessas regiões. A expansão de novos vínculos de trabalho com benefícios como vale-alimentação também pode responder por esse crescimento.

"Esse resultado nos leva a refletir sobre o que está acontecendo: com certeza as áreas rurais vão se desenvolvendo e ganhando lugares para fazer refeições fora dos domicílios. Outros regimes de trabalho, com emprego fora de casa e as mulheres ganhando participação no mercado, fazem esse tipo de refeição ganhar força, pois sobra menos tempo para o consumo no domicílio e a preparação dos alimentos", disse Martins.

Diferença entre áreas urbanas e rurais

Apesar do crescimento, o estudo mostra que há diferença de 87,1% nos valores médios gastos. Nas regiões urbanizadas, por exemplo, a média de gastos é de R$ 230,76, enquanto na zona rural é de R$ 123,32. A diferença é menor com a alimentação dentro de domicílio, com as áreas urbanas gastando, em média, 15% mais que as famílias em situação rural.

A alimentação fora do domicílio também é um fator de preocupação para a nutrição dos brasileiros.

"Os nutricionistas veem com cautela essa questão, já que há mais chances de se consumirem alimentos de baixa qualidade nutricional, como lanches e fast food", afirmou o gerente da POF.

A POF é o levantamento mais detalhado sobre os padrões de consumo dos brasileiros. Ela é realizada desde os anos 1970. Nesta edição, os técnicos do IBGE visitaram perto de 58 mil dos 70 milhões de lares brasileiros, em 1.900 cidades. A coleta de dados durou um ano. As famílias que participaram da pesquisa tiveram de preencher cadernetas e questionários com todos os seus hábitos de consumo. Em média, elas eram compostas de três pessoas.

Baseado nessa pesquisa, o IBGE atualiza a cesta de itens que compõem o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do Brasil. Uma nota detalhada de como os dados colhidos no ano passado influenciarão na composiçao desse indicador deve ser divulgada nas próximas semanas.

O levantamento ainda possibilitará identificar quantas famílias brasileiras vivem em insegurança alimentar. Ou seja, têm acesso escasso a alimentos e podem estar em situação de fome.