Brasileiro: Flamengo vence o Botafogo por 1 a 0 no Nilton Santos

Bruno Marinho
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Agência O Globo

Jogo bom de futebol é o que tem agressão. Não no sentido literal, mas no significado que o verbo agredir ganhou de uns tempos para cá no vocabulário do futebol brasileiro: uma forma mais rebuscada de dizer que uma equipe atacou, buscou o gol adversário com afinco. Ontem, a primeira agressão aconteceu antes mesmo de a bola rolar, pelo menos foi o que o Flamengo achou de uma faixa de torcedores do Botafogo estendida no Nilton Santos dizendo que “aqui prezamos pelas vidas”.

Depois, onde realmente interessa, dentro das quatro linhas, quem agrediu foi o Flamengo. Nem tanto, mas o suficiente para vencer o Botafogo por 1 a 0 e chegar à terceira colocação no Campeonato Brasileiro. Agredido no jogo, o Alvinegro se afunda cada vez mais na zona de rebaixamento — é o penúltimo, com 20 pontos.

O curioso é que, de início, o time de Eduardo Barroca, ainda fora da área técnica por estar com a Covid-19, deu a impressão de que seria ele o agressor. Começou marcando com linhas altas e dificultando a saída de bola rubro-negra. Foram 15 minutos de intensidade, boa chance de gol com Pedro Raul e alguma presença no campo de ataque.

Mas logo a estratégia alvinegra se revelou outra. O Botafogo recuou e se permitiu ser agredido, fazendo o papel de sparring, com a guarda alta, à espera de um contra-ataque que pouco apareceu. Se não conseguia agredir, ao menos as agressões que sofria não causavam dano. E assim se passou o primeiro tempo de jogo morno, quase uma luta de exibição como aquela recentemente protagonizada por Mike Tyson.

O bom para o Flamengo é que ele já conhece o caminho das pedras para agredir de verdade quem não se importa em ser agredido. A tal da marcação sob pressão ainda na área adversária, que tanto funcionou nos tempos de Jorge Jesus, novamente foi eficaz ontem. Quando se viu cercado para sair jogando a partir do campo de defesa, os jogadores alvinegros ratearam e Marcinho entregou a bola de bandeja para Gerson. O jogador só precisou encontrar Everton Ribeiro, que finalizou com categoria, sem chances para o goleiro Diego Cavalieri.

Depois do gol, ainda aos 9 minutos do segundo tempo, agressores e agredidos sossegaram por um bom tempo. O jogo voltou a despertar o interesse depois que Victor Luis apelou para a agressão no sentido literal do terno: com entrada dura em Rodrigo Muniz, recebeu o cartão vermelho direto do árbitro Anderson Daronco. Mais tarde, já perto do fim da partida, foi Gustavo Henrique, do Flamengo, quem foi avermelhado sem pestanejos, quando era o último homem e fez falta em Lucas Campos.