Brasileiro escolhe entre comer ou ir ao teatro, diz Ingrid Silva, que dançou na posse

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 26.08.2021 - Retrato da bailarina Ingrid Silva no rooftop do novo Teatro B 32. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 26.08.2021 - Retrato da bailarina Ingrid Silva no rooftop do novo Teatro B 32. (Foto: Eduardo Knapp/Folhapress)

SÇAO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Em 2005, aos 17 anos, a bailarina Ingrid Silva se apresentou no Palácio da Alvorada, como parte de uma premiação entregue ao projeto social Dançando Para Não Dançar, do qual ela fez parte. "O presidente Lula assistiu à apresentação", ela lembra, neste domingo (1º), em um novo encontro com o petista, que retorna à presidência do país.

Dezessete anos depois, ela se tornou a bailarina principal do Dance Theatre of Harlem, em Nova York, onde mora, e volta a Brasília para se apresentar na posse de Lula. "Isso me traz muita reflexão, porque corta para hoje e estou vivendo esse momento sendo uma bailarina profissional. Em 2005, era só um sonho. Não sabia se iria me tornar a pessoa que sou hoje."

Silva fez a apresentação de abertura do palco Elza Soares, um dos dois montados na Esplanada dos Ministérios, como parte do Festival do Futuro, que celebra a posse do novo presidente. Seu número foi uma homenagem a Ismael Ivo, dançarino e coreógrafo brasileiro, negro como Silva, que morreu há dois anos.

A coreografia, feita especialmente para a ocasião, tem assinatura de Bethania Gomes, a primeira bailarina brasileira negra a alcançar o posto mais alto de uma companhia internacional.

A bailarina acredita que tenha se apresentado para o maior público de sua carreira. "É um dos momentos mais importantes que estou vivendo", ela diz. "Nunca foi visto balé clássico num palco [como esse], hoje a gente fez história."

Para Ingrid Silva, autora dos livros "A Sapatilha que Mudou Meu Mundo" e "A Bailarina que Pintava Suas Sapatilhas", o acesso a esse tipo de cultura, no Brasil, é restritivo. Isso porque, ela diz, a população tem de escolher entre usar o dinheiro que tem para comer ou pagar o ingresso para assistir a um espetáculo de balé no teatro.

É uma situação que ela espera que mude durante o novo governo Lula. "Passamos por um governo crítico, em que a cultura tinha sido esquecida", ela diz. "Mas sem cultura, não existe povo. As pessoas precisam de cultura e precisam de arte para sobreviver. Com a entrada do Lula, tenho certeza que vamos ter mais oportunidades de ter a cultura inserida em vários ambientes e aspectos da nossa sociedade."