Borderline: conheça os sintomas do transtorno que será tratado em novela da Globo

(Foto: Getty Creative)
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A nova novela do autor João Emanuel Carneiro, “Todas as Flores”, estreia esta quarta-feira no Globoplay e traz temas que prometem gerar discussões na sociedade. Como é o caso da doença de priapismo, condição acometida pelo personagem de Douglas Silva caracterizada por ereções involuntárias e prolongadas, com ou sem estímulo sexual. Além dele, o autor também vai inserir na história um assunto inédito na teledramaturgia, o Transtorno de Borderline.

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Entenda

Na trama, Joy, interpretada por Yara Charry sofrerá do distúrbio psiquiátrico identificado, principalmente, por mudanças rápidas e intensas de humor, além de comportamentos e relacionamentos instáveis. A condição é considerada muito comum no Brasil com mais de dois milhões de casos por ano no país.

As causas para desenvolver o transtorno ainda não são bem compreendidas. Sabe-se que é mais comum adquirir na adolescência e vai ficando cada vez mais frequente com o passar dos anos. Uma das razões é ligada as vivências da infância. Pacientes com essa condição tiveram uma infância traumática, com relações entre pais e filhos pobres, abuso sexual, negligência, bullying físico, entre outros. Também pode ter uma causa familiar, visto que a incidência da doença é cinco vezes mais comum em parentes biológicos de primeiro grau de pessoas que já sofrem com o transtorno.

É comum as pessoas confundirem o transtorno com bipolaridade, por isso é necessário sempre uma avaliação psiquiátrica para ter um diagnóstico certo da doença. A diferença entre as duas ocorre na intensidade e duração, enquanto na bipolaridade os sintomas costumam aparecer em fases, durando algumas semanas, no Borderline as oscilações de humor são muito mais rápidas e sem estabilidade.

Características e sintomas

Os indivíduos que sofrem do Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) tem medo que as emoções fujam do controle e, por isso, tendem a se tornarem mais irracionais em situações de muito estresse, criando dependência em relação a outras pessoas e “válvulas de escape” para se sentirem mais confortáveis. Eles têm, por exemplo, muito medo do abandono. Esse receio é um dos sintomas mais presentes, mesmo em estágios iniciais, e podem correr para tais extremos a ponto do paciente se isolar voluntariamente para evitar que outros o façam.

Outro sintoma comum da doença é a mudança repentina no humor. Além da raiva sem motivo aparente, causada pelos pensamentos de abandono e negligência, o paciente tem crises de ansiedade, medo, irritação e insegurança de modo frequente ao longo do dia. Podendo ter duas ou mais características de humor seguidas. Tais mudanças tornam difícil uma boa vida social, pessoal e profissional.

Os pacientes também demonstram ter instabilidade e comportamentos impulsivos, como terminar um relacionamento dias depois de começá-lo ou abandonar o emprego aparentemente estável, gastos descontrolados, consumo exagerado de comida ou bebidas. Eles costumam ainda ter baixa autoestima, além de uma auto depreciação. Nunca acham que serão bons em algo e costumam se auto sabotar o tempo inteiro. O que, consequentemente, leva a um vazio interior, sentimento de solidão e, em casos extremos, tentativas de suicídio.

Tratamento

O paciente deve procurar um tratamento com um psiquiatra e um psicólogo no intuito de curar e cicatrizar essas feridas do passado, além de auxiliar a controlar os impulsos e entender melhor o significado dos comportamentos. Um processo de psicoterapia individual ou em grupo é recomendado para esses casos.

Também pode ser indicado o uso de medicamentos, como: antidepressivos, antipsicóticos, estabilizadores de humor e calmantes.