Bolsonaro volta seu foco para a ONU e esquece questões internas no Brasil

Bolsonaro em seu discurso na abertura da 74ª Assembleia-Geral da ONU. (Foto: AP Photo/Mary Altaffer)

por Renato C. de Abreu

Focado na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Jair Bolsonaro (PSL) concentrou suas publicações nas redes sociais desta semana no evento. O presidente da República prometeu “apresentar ao mundo o Brasil que estamos construindo”, mas levou para o evento nada mais que um discurso vazio e seu silêncio sobre mais uma tragédia que comoveu o país. Relembre a semana do presidente através de sua atividade virtual.

Na segunda-feira (23), Bolsonaro comemorou a finalização das obras de pavimentação entre Peixe e Taguatinga, no Tocantins.

Em seguida, compartilhou sua chegada em Nova York, nos Estados Unidos, onde participaria da Assembleia da ONU. “Chegada no hotel em Nova Iorque, cumprimentando nossos ministros de Estado e corpo diplomático brasileiro”, disse.

Vale lembrar que na madrugada de sexta para sábado passado, mais uma criança era morta na periferia do Rio de Janeiro, vítima de uma bala perdida. A morte de Ágatha Vitória Sales Félix, de apenas 8 anos, passou despercebida pelo presidente ao longo da semana. De acordo com familiares, o tiro partiu da própria Polícia Militar. O caso está sendo investigado

Já na terça-feira (24), Bolsonaro abriu a 74ª Assembleia Geral da ONU com um discurso agressivo contra países como Cuba, Venezuela e França. Além disso, tocou na questão das queimadas na Amazônia, afirmando que comunidades indígenas contribuíram para o fogo que atingiu a região no início do mês.

“Na ONU, levei a palavra firme do Brasil, dando voz aos verdadeiros anseios e valores de nosso amado povo”, disse Bolsonaro em suas redes sociais. Em seu discurso, o presidente levou uma série de informações equivocadas e exageradas, analisadas pela Agência Lupa.

Pouco depois, Bolsonaro encontrou rapidamente o presidente norte-americano Donald Trump. Os dois trocaram poucas palavras e tiraram uma foto. Bolsonaro rapidamente publicou o momento em seu Twitter e dividiu a opinião dos internautas. Muitos afirmaram que Trump ignorou o presidente brasileiro, enquanto outros apoiaram a união entre EUA e Brasil.

Na quarta-feira (25), Bolsonaro comemorou a chegada de mais uma companhia aérea internacional ao país, a chilena Jet Smart. Segundo o presidente, o voo inaugural será entre Salvador e Santiago, no Chile, por apenas R$ 299

“Já são 5 lowcosts iniciando investimentos em nosso país. A concorrência barateando o preço das passagens e disputando a qualidade dos serviços. Os voos internacionais saindo do Brasil são as primeiras medidas para reconhecimento e posterior, brevemente, entrada no mercado doméstico”, explicou o presidente.

Na quinta-feira (26), Bolsonaro abriu sua live semanal ao lado da índia Ysani Kalapalo. Os dois defenderam que os indígenas querem explorar terras em reservas, atualmente preservadas por lei.

Com 27 anos, a índia apoia o presidente desde a campanha presidencial e ganhou notoriedade por postar vídeos no YouTube com discursos alinhados ao governo federal sobre a exploração da Floresta Amazônica.

"São duas mulheres, dois seres humanos que são iguais. O que o índio quer no Brasil?", falou Bolsonaro se referindo à Ysani e sua tradutora de Libras, Elizângela Castelo. "Hoje o índio quer o progresso, o desenvolvimento, ajudar a fazer com que o Brasil cresça”, respondeu a indígena. Clique aqui para ver tudo o que foi falado durante a live sobre o assunto.

Ainda na quinta, o deputado Eduardo Bolsonaro e candidato a embaixador do Brasil em Washington, nos Estados Unidos, publicou uma foto em suas redes sociais fazendo sinais de armas em frente a uma escultura desarmamentista na entrada da sede das Nações Unidas.

O monumento, batizado de Non-Violence (sem violência, na tradução), mostra um revólver com o cano retorcido. A escultura foi feita pelo sueco Carl Fredrik a pedido de Yoko Ono, esposa de John Lennon, assassinado a tiros por um fã.

A publicação causou revolta nas redes sociais. Diante da polêmica, o filho número 3 precisou se explicar. "O assassinato do John Lennon é o pano de fundo para calar os pró-legítima defesa que ousarem falar contra - quem poderia ser contra essa escultura, ainda mais em tempos de politicamente correto? O que aconteceria se John Lennon estivesse armado?", questionou em seu Twitter.

A pergunta do deputado gerou ainda mais polêmica. Vale lembrar que o ex-integrante dos Beatles e ativista pela paz foi assassinado com quatro tiros, todos eles pelas costas.

Por fim, na sexta-feira (27) Bolsonaro sancionou com vetos o projeto de lei que altera regras para partidos políticos e para as próximas eleições.

O texto foi aprovado no último dia 18 deste mês pela Câmara dos Deputados. As novas regras já serão válidas para as próximas eleições municipais de 2020.

No mesmo dia, foi alvo de uma nova polêmica. Ao dar autógrafos para fãs na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro promoveu um comentário infeliz sobre o hálito de um apoiador. O homem pedia ajuda pois estava desempregado.

Após tirar uma foto com o rapaz, o presidente disse para um segurança “só pelo bafo, não vai ter emprego”. É possível ouvir a declaração na live promovida pelo próprio presidente em seu Facebook.